quinta-feira, 3 de julho de 2008

As Rosas do Tempo



Admirável espírito dos moços
a vida te pertence.

Os alvoroços as iras e entusiasmos que cultivas
são as rosas do tempo, inquietas, vivas

Erra e procura e sofre e indaga e ama
que nas cinzas do amor perdura e flama.

Carlos Drummond de Andrade

Eros


Nunca o verão
se demorara
assim nos lábios
se na água- como podíamos morrer,
tão próximos e nus e inocentes?


Eugénio de Andrade

terça-feira, 25 de março de 2008

FICHA DE TRABALHO SOBRE AS FÁBULAS

Actividade – Descobrindo significados

1. Procure no dicionário alguns significados da palavra “moral”.
a) ___________________________________________
b) ___________________________________________
c) ___________________________________________
d) ___________________________________________
e) ___________________________________________


2. Complete o quadro abaixo, apontando aqueles valores que, na sua opinião, são, em geral, aceites pela sociedade, em oposição àqueles que são condenados:






Leitura compreensiva e interpretativa do texto


O Lobo e o cordeiro


Como naquele Verão fazia muito calor, um lobo dirigiu-se a um ribeirinho. Quando se preparava para mergulhar o focinho na água, ouviu um leve rumor de erva a mexer-se. Virou a cabeça nessa direcção e viu, mais adiante, um cordeirinho que bebia tranquilamente. “Vem mesmo a propósito!” – pensou o lobo de si para si. - “ Vim aqui para beber e encontro também o que comer...”Aclarou a voz, pôs um ar severo e exclamou:
-Eh! Tu aí!
-É comigo que está a falar, senhor? - respondeu o cordeiro. – Que deseja?
- O que é que desejo? Mas é evidente, meu malcriado! Não vês que ao beber me turvas a água? Nunca ninguém te ensinou a respeitar os mais velhos?
- Mas... senhor? Como pode dizer isso? Olhe como bebo com a ponta da língua... Além disso, com sua licença, eu estou mais abaixo e o senhor mais acima. A água passa primeiro por si e só depois por mim. Não é possível que esteja a incomodá-lo! – respondeu o cordeirinho com voz trémula.
- Histórias! Com a tua idade já me queres ensinar para que lado corre a água?
- Não, não é isso... só queria que reparasse...
- Qual reparar nem meio reparar! Olha que não me enganas! Pensas que te escapas, como no ano passado, quando andavas por aí a dizer mal da minha família? “Os lobos são assim... os lobos são assado...” Tiveste muita sorte por eu nunca te ter encontrado, senão já te tinha mostrado como são os lobos!
- Não sei quem lhe terá contado tal coisa, senhor, mas olhe que é falso, acredite. A prova é que no ano passado eu ainda não tinha nascido.
- Pois se não foste tu, foi o teu pai! - rosnou o lobo, saltando em cima do pobre inocente.
Moral
Para alguém decidido a fazer o mal a todo o custo, qualquer razão serve, ainda que seja uma mentira.


Esopo




Actividade – Trabalhando a estrutura do texto


a) Enumere, pelos menos, três adjectivos definidores do carácter do lobo e do cordeiro.


b) O encontro do lobo e do cordeiro acontece “nas águas limpas de um regato”. É possível determinar a localização exacta do cenário onde se passa a acção? Justifique sua resposta.


c) No verso “foi que falaste mal de mim no ano passado”, a expressão grifada permite situar a acção no tempo? Explique sua resposta.


d) O que nos permite afirmar que o lobo e o cordeiro eram velhos conhecidos?


e) Enumere os argumentos usados pelo lobo para justificar o castigo imposto ao cordeiro.


f) A fábula apresenta um ensinamento ao leitor. Que ensinamento é este e quem o transmite?


g) Porque é que o segundo verso – (nem sempre o Bem derrota o Mal) - está colocado entre parênteses? O que significa a expressão “nem sempre”?


h) Complete a frase, explicando-a com as suas palavras: A razão do mais forte é a que vence no final, pois ____________________________________________________________ .

FÁBULA: DEFINIÇÃO E EXEMPLO

A Fábula é uma narrativa breve, tendo animais como personagens principais e que tem por objectivo transmitir certas moralidades.



Exemplo de uma Fábula:

A Fábula A Cigarra e a Formiga
Rendo a cigarra em cantigas
Passado todo o Verão,
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.
Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso ajunta:
«No Verão em que lidavas?»
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra: «Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.»
«Oh bravo! (torna a formiga)
Cantavas? Pois dança agora.»
Rogou-lhe, que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza, e brio,
Algum grão, com que manter-se
‘Té voltar o aceso estio.
«Amiga, (diz a cigarra)
Prometo à fé de animal,
Pagar-vos até Agosto
Os juros, e o principal.»
A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso ajunta:
«No Verão em que lidavas?»
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra: «Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.»
«Oh bravo! (torna a formiga)
Cantavas? Pois dança agora.»


A LENDA DE S. MARTINHO

Exemplo de uma Lenda:


A Lenda de S. Martinho

“Há muitos anos, vivia na cidade de Sabária, na Hungria, um valente cabo-de-guerra romano. Quando lhe nasceu um filho, pôs-lhe o nome de Martinho, pois Marte, para os Romanos, era o Deus da Guerra.
Para que Martinho se habituasse às lides guerreiras, o pai levava-o, ainda muito pequeno, para os acampamentos. Mais tarde, Martinho foi viver para Itália com o pai, que entretanto tinha sido transferido para Pavia.
Martinho aos 15 anos tornou-se soldado e pouco depois foi enviado para Amiens no norte da Gália.
Conta a lenda, que Martinho fazia rondas diárias na cidade para assegurar a ordem pública.
Num dia 11 de Novembro, chuvoso e frio, Martinho, como habitualmente, saiu e deparou-se com um pobre e velho mendigo, que lhe estendeu a mão a pedir esmola.
Como no momento não tinha nada para oferecer, tirou a capa que tinha sobre os ombros e com um rasgo de espada partiu-a ao meio, cobrindo com metade o corpo enregelado do pobre mendigo, seguindo depois o seu caminho.
Não ia ainda muito longe, quando de repente a chuva parou e do céu irromperam quentes raios de sol, permitindo que o soldado, agora menos agasalhado, não tivesse frio.”

AS LENDAS

O QUE SÃO LENDAS?




As lendas são consideradas um caso à parte da literatura popular. Relatam factos tidos como acontecidos. Nas vilas, povoados e cidades têm lugar diversos acontecimentos. A estes acontecimentos verdadeiros juntam-se pouco a pouco pormenores, esquecem-se outros, dando origem a um produto simultaneamente real e fantástico.
Em tom de conclusão, podemos afirmar que as lendas assentam num fundamento histórico provável ou possível que é alterado pela intervenção do maravilhoso popular, cristão ou pagão.

FICHA DE LEITURA DO CONTO «A PALAVRA MÁGICA» DE VERGÍLIO FERREIRA

Leitura Orientada do conto «A Palavra Mágica» de Vergílio Ferreira



1. Lê o conto atentamente e responde às perguntas seguintes.


1.1. Fala da história contada neste conto.


1.2. Resume o episódio deste conto em que a palavra "inócuo" é utilizada pela primeira vez.


1.2.1. Que explicações sugeres para:


· A alteração fonética da palavra, de "inócuo" para "inoque"?
· A atribuição à palavra de um significado insultuoso como "lombeiro", "vadio"?


1.3. Ao longo da narrativa sucedem-se os episódios em que a palavra "inócuo" vai acumulando novos significados.


1.3.1. Delimita cada um desses episódios.


1.3.2. Explica a circunstância que dá origem a cada novo significado.


1.4. Como se justifica que a personagem com mais instrução, como por exemplo o juiz, não tenha detectado de imediato o verdadeiro significado da palavra-problema?


1.5. Como interpretas a discordância entre o juiz e o advogado acerca da gravidade da palavra "inócuo"?


1.6. Esclarecido e divulgado o verdadeiro sentido de "inócuo", seria de esperar que a palavra caísse no esquecimento ou deixasse de incomodar as pessoas. Foi o que aconteceu? Justifica a tua resposta com base no desenlace da narrativa.

1.7. " A vida, de facto, emendara o dicionário". Parece-te que o conto documenta esta afirmação? Justifica.

1.8. A este conto deu o autor o título de "Palavra Mágica".
· Procura explicar porquê.
· Sugere outro título adequado e sugestivo.

2.
2.1. O Silvestre é a personagem de que temos mais elementos de caracterização. Com base nesses elementos, parece-te que ele é de facto um "inócuo"? Justifica.


2.2. Várias personagens são referidas ao longo da narrativa. Selecciona duas que te tenham despertado a atenção e justifica a tua escolha.


2.3. Caracteriza Silvestre.

3.
3.1. Assinala todas as informações que o texto nos dá sobre o espaço onde se desenrola a acção.


3.2. Com base no registo que fizeste, indica:
· O espaço físico em que decorre a acção.
· O espaço social sugerido.


4. Lê atentamente, os seguintes textos:


Há palavras alegres e há palavras tristes. E essa tristeza ou essa alegria uma vez está nela, outras no modo de as dizer. Assim, certa palavra pode ter muitas e até contraditórias significações consoante o modo como é pronunciada.

Sebastião da Gama, Diário


As palavras
São como um cristal,
As palavras,
Algumas, um punhal,
Um incêndio.
Outras
Orvalho apenas.
(...)
Quem as escuta? Quem
As recolhe assim
Cruéis, desfeitas,
Nas suas conchas puras.

Eugénio de Andrade, Poemas



O mais perfeito dos sons humanos é a palavra. A poesia é a forma mais perfeita da palavra.


Han Yu (768-824)


5. Neste conto, não há referentes temporais, tenta explicar o motivo.


5.1. Classifica o narrador quanto à presença e à posição. Documenta a tua resposta com elementos do texto.

6. Tendo em conta que a palavra “inócuo” não pertence ao nível de língua utilizado pelos habitantes da aldeia, compreende-se, agora, facilmente, o aparecimento dos vários significados que lhe foram atribuídos pelas diferentes personagens.

6.1.Indica os vários significados da palavra “inócuo” mencionados no texto.

6.2. Repara que estes significados atribuídos à palavra e os outros que aparecem ao longo do conto, apesar de diferentes, possuem algo que os une. Indica o que é comum entre eles.

7. Explica, por palavras tuas, a última frase do excerto.


8. "O meu pagnon chamou-me inoque, mãe".
8.1. Identifica a função sintáctica dos diversos componentes da frase transcrita.

8.2. Reescreve o diálogo mãe/ filho utilizando o discurso indirecto.


Actividade individual



O poder da palavra


As palavras têm moda. Quando acaba a moda para umas começa a moda para outras. As que se vão embora voltam depois. Voltam sempre, e mudadas de cada vez. De cada vez mais viajadas.


Almada Negreiros

Sim,
conheço a força das palavras.
menos que nada.
menos que pétalas pisadas
num salão de baile.
e no entanto
se eu chamasse
quem dentre os homens me ouviria
sem palavras?


Carlos de Oliveira

"Sangrentas são as palavras e deixam vestígios através do tempo."


Herberto Helder

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.


Alexandre O'Neill


É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos
muitas espadas.


Eugénio de Andrade


1.
a) Relaciona os textos anteriores com o significado atribuído à palavra “inócuo” pelos habitantes da aldeia, que afinal continuou a perdurar.

b) Explica como é que as modas também influenciam as palavras.


2. Refere, tu também, uma palavra que não esteja no dicionário, mas que utilizes com frequência.


3. Selecciona a citação que achares mais sugestiva e comenta-a.