quarta-feira, 12 de março de 2008

CONTO «A AIA» DE EÇA DE QUEIRÓS

A Aia



Era uma vez um rei, moço e valente, senhor de um reino abundante em cidades e searas, que partira a batalhar por terras distantes, deixando solitária e triste a sua rainha e um filhinho, que ainda vivia no seu berço, dentro das suas faixas.
A lua cheia que o vira marchar, levado no seu sonho de conquista e de fama, começava a minguar, quando um dos seus cavaleiros apareceu, com as armas rotas, negro do sangue seco e do pó dos caminhos, trazendo a amarga nova de uma batalha perdida e da morte do rei, trespassado por sete lanças entre a flor da sua nobreza, à beira de um grande rio.
A rainha chorou magnificamente o rei. Chorou ainda desoladamente o esposo, que era formoso e alegre. Mas, sobretudo, chorou ansiosamente o pai, que assim deixava o filhinho desamparado, no meio de tantos inimigos da sua frágil vida e do reino que seria seu, sem um braço que o defendesse, forte pela força e forte pelo amor.
Desses inimigos o mais temeroso era seu tio, irmão bastardo do rei, homem depravado e bravio; consumido de cobiças grosseiras, desejando só a realeza por causa dos seus tesouros, e que havia anos vivia num castelo sobre os montes, com uma horda de rebeldes, à maneira de um lobo que, de atalaia no seu fojo, espera a presa. Ai! a presa agora era aquela criancinha, rei de mama, senhor de tantas províncias, e que dormia no seu berço com seu guizo de oiro fechado na mão!
Ao lado dele, outro menino dormia noutro berço. Mas era um escravozinho, filho da bela e robusta escrava que amamentava o príncipe. Ambos tinham nascido na mesma noite de Verão. O mesmo seio os criara. Quando a rainha, antes de adormecer, vinha beijar o principezinho, que tinha o cabelo louro e fino, beijava também, por amor dele, o escravozinho, que tinha o cabelo negro e crespo. Os olhos de ambos reluziam como pedras preciosas. Somente, o berço de um era magnífico de marfim entre brocados, e o berço de outro, pobre e de verga. A leal escrava, porém, a ambos cercava de carinho igual, porque, se um era o seu filho, o outro seria o seu rei.
Nascida naquela casa real, ela tinha a paixão, a religião dos seus senhores. Nenhum pranto correra mais sentidamente do que o seu pelo rei morto à beira do grande rio. Pertencia, porém, a uma raça que acredita que a vida da terra se continua no céu. O rei seu amo, decerto, já estaria agora reinando em outro reino, para além das nuvens, abundante também em searas e cidades. O seu cavalo de batalha, as suas armas, os seus pajens tinham subido com ele às alturas. Os seus vassalos, que fossem morrendo, prontamente iriam, nesse reino celeste, retomar em torno dele a sua vassalagem. E ela, um dia, por seu turno, remontaria num raio de lua a habitar o palácio do seu senhor, e a fiar de novo o linho das suas túnicas, e a acender de novo a caçoleta dos seus perfumes; seria no céu como fora na terra, e feliz na sua servidão.
Todavia, também ela tremia pelo seu principezinho! Quantas vezes, com ele pendurado do peito, pensava na sua fragilidade, na sua longa infância, nos anos lentos que correriam, antes que ele fosse ao menos do tamanho de uma espada, e naquele tio cruel, de face mais escura que a noite e coração mais escuro que a face, faminto do trono, e espreitando de cima do seu rochedo entre os alfanges da sua horda! Pobre principezinho da sua alma! Com uma ternura maior o apertava nos braços. Mas o seu filho chalrava ao lado, era para ele que os seus braços corriam com um ardor mais feliz. Esse, na sua indigência, nada tinha a recear a vida. Desgraças, assaltos da sorte má nunca o poderiam deixar mais despido das glórias e bens do mundo do que já estava ali no seu berço, sob o pedaço de linho branco que resguardava a sua nudez. A existência, na verdade, era para ele mais preciosa e digna de ser conservada que a do seu príncipe, porque nenhum dos duros cuidados com que ela enegrece a alma dos senhores roçaria sequer a sua alma livre e simples de escravo. E, como se o amasse mais por aquela humildade ditosa, cobria o seu corpinho gordo de beijos pesados e devoradores, dos beijos que ela fazia ligeiros sobre as mãos do seu príncipe.
No entanto, um grande temor enchia o palácio, onde agora reinava uma mulher entre mulheres. O bastardo, o homem de rapina, que errava no cimo das serras, descera à planície com a sua horda, e já através de casais e aldeias felizes ia deixando um sulco de matança e ruínas. As portas da cidade tinham sido seguras com cadeias mais fortes. Nas atalaias ardiam lumes mais altos. Mas à defesa faltava disciplina viril. Uma roca não governa como uma espada. Toda a nobreza fiel perecera na grande batalha. E a rainha desventurosa apenas sabia correr a cada instante ao berço do seu filhinho e chorar sobre ele a sua fraqueza de viúva. Só a ama leal parecia segura, como se os braços em que estreitava o seu príncipe fossem muralhas de uma cidadela que nenhuma audácia pode transpor.
Ora uma noite, noite de silêncio e de escuridão, indo ela a adormecer, já despida, no seu catre, entre os seus dois meninos, adivinhou, mais que sentiu, um curto rumor de ferro e de briga, longe, à entrada dos vergueis reais. Embrulhada à pressa num pano, atirando os cabelos para trás, escutou ansiosamente. Na terra areada, entre os jasmineiros, corriam passos pesados e rudes. Depois houve um gemido, um corpo tombando molemente, sobre lajes, como um fardo. Descerrou violentamente a cortina. E além, ao fundo da galeria, avistou homens, um clarão de lanternas, brilhos de armas... Num relance tudo compreendeu: o palácio surpreendido, o bastardo cruel vindo roubar, matar o seu príncipe! Então, rapidamente, sem uma vacilação, uma dúvida, arrebatou o príncipe do seu berço de marfim, atirou-o para o pobre berço de verga, e, tirando o seu filho do berço servil, entre beijos desesperados, deitou-o no berço real que cobriu com um brocado.
Bruscamente um homem enorme, de face flamejante, com um manto negro sobre a cota de malha, surgiu à porta da câmara, entre outros, que erguiam lanternas. Olhou, correu o berço de marfim onde os brocados luziam, arrancou a criança como se arranca uma bolsa de oiro, e, abafando os seus gritos no manto, abalou furiosamente.
O príncipe dormia no seu novo berço. A ama ficara imóvel no silêncio e na treva.
Mas brados de alarme atroaram, de repente, o palácio. Pelas janelas perpassou o longo flamejar das tochas. Os pátios ressoavam com o bater das armas. E desgrenhada, quase nua, a rainha invadiu a câmara, entre as aias, gritando pelo seu filho! Ao avistar o berço de marfim, com as roupas desmanchadas, vazio, caiu sobre as lajes num choro, despedaçada. Então, calada, muito lenta, muito pálida, a ama descobriu o pobre berço de verga... O príncipe lá estava quieto, adormecido, num sonho que o fazia sorrir, lhe iluminava toda a face entre os seus cabelos de oiro. A mãe caiu sobre o berço, com um suspiro, como cai um corpo morto.
E nesse instante um novo clamor abalou a galeria de mármore. Era o capitão das guardas, a sua gente fiel. Nos seus clamores havia, porém, mais tristeza que triunfo. O bastardo morrera! Colhido, ao fugir, entre o palácio e a cidadela, esmagado pela forte legião de archeiros, sucumbira, ele e vinte da sua horda. O seu corpo lá ficara, com flechas no flanco, numa poça de sangue. Mas, ali dor sem nome! O corpozinho tenro do príncipe lá ficara também envolto num manto, já frio, roxo ainda das mãos ferozes que o tinham esganado! Assim tumultuosamente lançavam a nova cruel os homens de armas, quando a rainha, deslumbrada, com lágrimas entre risos, ergueu nos braços, para lho mostrar, o príncipe que despertara.
Foi um espanto, uma aclamação. Quem o salvara? Quem?... Lá estava junto do berço de marfim vazio, muda e hirta, aquela que o salvara! Serva sublimemente leal! Fora ela que, para conservar a vida ao seu príncipe, mandara à morte o seu filho... Então, só então, a mãe ditosa, emergindo da sua alegria extática, abraçou apaixonadamente a mãe dolorosa, e a beijou, e lhe chamou irmã do seu coração... E de entre aquela multidão que se apertava na galeria veio uma nova, ardente aclamação, com súplicas de que fosse recompensada magni6camente a serva admirável que salvara o rei e o reino.
Mas como? Que bolas de oiro podem pagar um filho? Então um velho de casta nobre lembrou que ela fosse levada ao Tesoiro real, e escolhesse de entre essas riquezas, que eram como as maiores dos maiores tesouros da Índia, todas as que o seu desejo apetecesse...
A rainha tomou a mão da serva. E sem que a sua face de mármore perdesse a rigidez, com um andar de morta, como um sonho, ela foi assim conduzida para a Câmara dos Tesouros. Senhores, aias, homens de armas, seguiam, num respeito tão comovido, que apenas se ouvia o roçar das sandálias nas lajes. As espessas portas do Tesoiro rodaram lentamente. E, Quando um servo destrancou as janelas, a luz da madrugada, já clara e rósea, entrando pelos gradeamentos de ferro, acendeu um maravilhoso e faiscante incêndio de oiro e pedrarias! Do chão de rocha (1) até às sombrias abóbadas, por toda a câmara, reluziam, cintilavam, refulgiam os escudos de oiro, as armas marchetadas, os montões de diamantes, as pilhas de moedas, os longos fios de pérolas, todas as riquezas daquele reino, acumuladas por cem réis durante vinte séculos. Um longo – ah! – lento e maravilhado, passou por sobre a turba que emudecera. Depois houve um silêncio ansioso. E no meio da câmara, envolta na refulgência preciosa. a ama não se movia... Apenas os seus olhos, brilhantes e secos, se tinham erguido para aquele céu que, além das grades, se tingia de rosa e de oiro. Era lá, nesse céu fresco de madrugada, que estava agora o seu menino. Estava lá, e já o Sol se erguia, e era tarde, e o seu menino chorava decerto, e procurava o seu peito!... E então a ama sorriu e estendeu a mão. Todos seguiam, sem respirar aquele lento mover da sua mão aberta. Que jóia maravilhosa, que fio de diamantes, que punhado de rubis ia ela escolher?
A ama estendia a mão, e sobre um escabelo ao lado, entre um molho de armas, agarrou um punhal. Era um punhal de um velho rei, todo cravejado de esmeraldas, e que valia uma província.
Agarrara o punhal, e com ele apertado fortemente na mão, apontando para o céu, onde subiam os primeiros raios do Sol, encarou a rainha, a multidão, e gritou:
– Salvei o meu príncipe, e agora... vou dar de mamar ao meu filho.
E cravou o punhal no coração.

_________________________
(1) Falta o resto do jornal onde o conto foi inicialmente publicado.



Eça de Queirós, Contos

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

FICHA DE TRABALHO SOBRE «A NOTÍCIA»

1. Lê a notícia seguinte com atenção. Depois responde às questões:
Esteve em Alvalade, mas... remeteu-se ao silêncio (A

SÁ PINTO PARA ALEGRAR (B
(C Ricardo Sá Pinto voltou ontem, por 90 minutos a Alvalade. O jogador, cuja suspensão de competir termina a 21 de Julho, remeteu-se ao silêncio.
(D Sá Pinto surgiu em Alvalade acompanhado por Paulo Abreu e remeteu-se ao silêncio, atitude que decidiu tomar desde que saiu para Espanha. Ainda teve o prazer de ouvir a Juve Leo cantar o seu nome e de levar muitas palmadas dos amigos. Pelos vistos, e pelo resultado final, o seu regresso, ainda que temporário, a Alvalade motivou e alegrou os antigos companheiros de equipa. Sá Pinto regressa hoje a San Sebastian.
( "A BOLA", 22/3/06)
a) Que nome dás às partes indicadas pelas letras?:

(A___________________________________________________________;
(B___________________________________________________________;
(C___________________________________________________________;
(D___________________________________________________________.

b) Copia o lead.
2. Classifica morfologicamente as palavras:

Ricardo

jogador

surgiu

prazer

seu

temporário

antigos

II

1. Complete correctamente os espaços em branco.

a) O que é uma notícia?

b) A função da linguagem utilizada na produção de uma notícia é a função _____________________ e o seu objectivo é ____________________. A linguagem utilizada tem que ser ___________________ por forma a permitir uma única _____________________ por parte dos inúmeros leitores.
c) O _______________ é a pessoa que vende ou distribui os jornais.
d) Chama-se __________________ a uma publicação informativa publicada uma vez por semana e ______________________ a um jornal publicado de manhã.

2. Atente na seguinte notícia.

"Prestige" continua a derramar fuelóleo

Quarta maré negra
A Quarta maré negra, proveniente do derrame do "Prestige", atingiu, este Domingo, as praias galegas a Norte do cabo Finisterra, o que veio tornar ainda mais difícil a limpeza da orla costeira.

Esta nova vaga pode ser resultado de um mancha à deriva não assinalada pelas equipas de vigilância, de acordo com António Alonso, adjunto do presidente da Câmara de Camarina, uma das vilas mais afectada pela crise. O "Prestige" tem vinte fissuras detectadas, algumas delas ainda não soldadas pelo mini-submarino francês não tripulado, o Nautile, continuando a derramar fuelóleo.
O trabalho de limpeza, este Domingo, foi feito com alguma dificuldade, devido às más condições atmosféricas que se verificam na região, com chuvas e ventos fortes. Mais de oito mil pessoas, entre voluntários e militares, trabalham este fim-de-semana prolongado em Espanha, "sem os meios adequados para fazer face ao problema", segundo um porta-voz dos pescadores. O "Prestige" encontra-se a uma profundidade de 3600 metros, ao largo da costa galega.
No total, já foram recolhidas cerca de 16 mil toneladas de crude nas operações de limpeza.
Público, 24/03/02


2.1. Leia atentamente a notícia e responda às seguintes questões.

a) Quem? ________________________________________________
b) O quê?________________________________________________
c) Quando? ______________________________________________
d) Onde? ________________________________________________
e) Como? ________________________________________________
f) Porquê? _______________________________________________

3. Analise sintacticamente as frases seguintes:

a) A maré negra atingiu, este Domingo, as praias galegas.
b) O trabalho de limpeza, este Domingo, foi feito com alguma dificuldade.

III

Produção de Texto
a) Considerando as seguintes perguntas e respostas, redija uma notícia. Não se esqueça de respeitar a sua estrutura.

Quem? os alunos do Curso de IOSI (maiores de 18 anos)
O quê? foram assistir a uma peça de teatro
Quando? Quarta-feira, dia 26 de Março
Onde? Teatro São João, no Porto

Porquê? promover hábitos culturais e incentivar os formandos para o género dramático
Como? Transporte do Centro de Formação Profissional do Porto

A NOTÍCIA


A notícia é um texto do domínio da comunicação social, com carácter informativo. Relata acontecimentos novos ou situações pouco habituais. O que a caracteriza é a actualidade, a objectividade, a brevidade e o interesse geral.

Na notícia, as informações devem ser apresentadas por ordem decrescente de importância: as mais importantes no início (TÍTULO E LEAD) e as menos importantes no CORPO DA NOTÍCIA.

A linguagem da notícia deve:

· Ser clara, simples, concisa e exacta;
· Empregar um vocabulário corrente;
· Recorrer, preferencialmente, ao nome e ao verbo, evitando os adjectivos valorativos;
· Utilizar a terceira pessoa (o jornalista nunca escreve “eu”);


Título – encabeça a notícia; deve ser preciso e expressivo, a fim de captar a atenção do leitor.

Está de acordo com o LEAD e pode fazer-se acompanhar de um antetítulo e / ou de um subtítulo.


Lead (cabeça ou parágrafo-guia) – primeiro parágrafo que resume o que aconteceu. Tem como objectivos captar a atenção do leitor e fornecer-lhe as informações fundamentais. Deve, pois, responder às seguintes questões essenciais:


- QUEM?;

- O QUÊ?;

- ONDE?

- QUANDO?.


Corpo da notícia – restantes parágrafos onde se dão outras informações menos importantes. Responde, normalmente, às questões COMO? e PORQUÊ?.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS MASS MEDIA

MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Os jornais, tal como as revistas, a rádio e a televisão são considerados “Mass Media”, que é uma expressão inglesa que significa “Meios de Comunicação de Massa”, ou seja, são todos os meios de comunicação que se dirigem a um vasto público. Estes mios são muito importantes na vida das pessoas em todo o mundo e objecto de discussão quanto ao seu papel na sociedade. Muitas pessoas acusam-nos de ser a razão de todos os males, outros pelo contrário, só lhes encontram qualidades.

Completa , de acordo com a tua opinião, as vantagens e desvantagens dos mesmos:
* VANTAGENS:
- Mantêm as pessoas informadas de tudo o que se passa no mundo.
- Permitem a diversão e momentos de lazer.
- ...
* DESVANTAGENS:
- Diminuem o tempo de convívio familiar na medida em que “deixamos de conviver” para estarmos atentos ao que se vai passando nos meios de comunicação social.
- ...

COMUNICAÇÃO SOCIAL

COMUNICAÇÃO SOCIAL - ARMA SECRETA

A comunicação social enche as nossas casas, impede-nos o caminho, ocupa-nos o tempo de lazer ou serve-nos de companhia ao longo da via­gem. Já não somos capazes de viver sem os "mass media"! Já não con­seguimos passar sem o noticiário, as imagens da televisão ou os comentários jornalísticos! A imprensa escrita, a radiodifusão, a televisão e o cinema tornaram-se indispensáveis à vida do homem.
Com a invenção dos satélites de telecomunicações e com a expansão da informática, os "media" transformaram-se em forças poderosas que não se limitam ao campo meramente informativo, mas tendem a modificar a mentalidade, a cultura e o comportamento do homem. Chegam de todo o lado, invadem o espaço e impõem as suas ideologias e os seus modelos culturais. Por vezes, cortam ou relegam para segundo plano o diálogo entre as pessoas.
Como diz F. Nietzsche, "quando se conhece o leitor, já nada se faz pelo leitor...". E o perigo dos "media" reside no facto de conhecer o leitor ape­nas como ser facilmente influenciável, a quem se deve oferecer tudo o que ele deseja sem qualquer preocupação. Inventam-se novos valores, desper­tam-se novos interesses, criam-se imagens de bem-estar. Por isso, a comu­nicação social começa a levantar problemas ao homem e às próprias instituições. Pelo seu enorme poder e a sua capacidade persuasiva começa a transformar-se na arma secreta de todos aqueles que conseguem ter nas mãos os principais meios de comunicação escrita ou audiovisual.
Compreender o mundo que nos é oferecido pelos meios de comunicação social é extremamente importante para que continuemos a ser homens individuais, criadores e dotados de uma personalidade própria.

Compreensão da Mensagem

1. A mensagem obedece a uma determinada estrutura das ideias.

1.1. Divide o texto nos seus momentos principais.

1.2. Identifica a ideia de cada um desses momentos.

2. "Já não somos capazes de viver sem os mass media."

2.1. Mostra a importância dos meios de comunicação social na vida dos homens.

2.2. Distingue os benefícios e malefícios da dependência da comunicação social.

3. " ... começa a transformar-se na arma secreta..." (linhas 20-21)

3.1. Enumera alguns dos problemas que a comunicação social levanta ao homem.3.2. Justifica a expressão de que a comunicação social "começa a transformar-se na arma secreta ".

«MASS MEDIA»: MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL ou "MASS MEDIA"


"Mass media" é uma palavra inglesa que significa intermediário ou suporte de massas.

"Os "mass media" são ao mesmo tempo canais de difusão e meios de expressão que se dirigem não a um indivíduo personalizado mas a um "público-alvo" definido por características sócio-económicas e culturais, em que todos os receptores são anónimos."

(A. Moles, La Communication et les mass media, Gérard-Marabout, 1971.)


O telefone não entra na categoria dos "mass media", o cinema, a rádio, a televisão, a imprensa, o livro (com algumas reservas), a publicidade mural são "mass media". O teatro, na sua forma social corrente, é-o sob fortes reservas: não existe nele um carácter de amplificação devido ao medium em si, nem ao anonimato do público-alvo.

Marc Angenot, Glossário da crítica contemporânea


Compreensão da Mensagem

1. Por palavras tuas, define mass media.

2. Identifica os receptores dos meios de comunicação social.

3. Enumera os meios de comunicação social.

4. Que meio de comunicação actual não é mencionado neste texto?

Estrutura da Língua

1. Faz o levantamento das palavras esdrúxulas.

2. Identifica os estrangeirismos presentes no texto.

3. Relembra a formação das palavras: palavras derivadas por sufixação e prefixação - palavras compostas por aglutinação e justaposição.

3.1. A partir do texto, dá exemplos de palavras compostas e palavras derivadas.

4. "O telefone não entra na categoria dos mass media."

4.1. Faz a decomposição da frase nos seus constituintes fundamentais.

4.2. Identifica o sujeito e o predicado.

4.3. Faz o levantamento dos determinantes que se encontram na frase.

5. "... na sua forma social corrente."

5.1. Distingue as subclasses de determinantes que encontras na expressão.

5.2. Identifica os adjectivos.

FICHA DE TRABALHO SOBRE «A DECLARAÇÃO»


Os direitos do leitor


«Quanto ao livro nada mais. Passemos ao leitor. Porque, mais instrutivos ainda do que os modos de tratar os livros, são os modos de os ler. Em matéria de leitura, nós, os "leitores", temos todos os direitos, a começar pelos que recusamos aos jovens que pretendemos iniciar na leitura. Para o escritor Daniel Pennac, os dez direitos do leitor são:



1) O direito de não ler.

2) O direito de pular páginas.

3) O direito de não terminar um livro.

4) O direito de reler.

5) O direito de ler qualquer coisa.

6) O direito de amar os "heróis" dos romances.

7) O direito de ler em qualquer lugar.

8) O direito de ler uma frase aqui e outra ali.

9) O direito de ler em voz alta.

10) O direito de não falar do que se leu.»


(Daniel Pennac, 1944, Como um Romance)

1. ACTIVIDADE

a) Alguns destes direitos são surpreendentes e até polémicos. Porquê?

b) Escolhe um dos direitos do leitor e explica por que o escolheste.

c) Constrói outras declarações com 10 direitos. Por exemplo: os direitos do pintor, do utilizador da internet, etc.


2. ACTIVIDADE
Pré-Leitura


1 – O texto a seguir apresentado é um excerto de uma crónica de Mia Couto para um jornal português, em que o autor dá conta de um equívoco de que foi alvo, pois confundiram-no com uma estrela de cinema: Chuck Norris. Lê-o com atenção.






quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

LIVRO... PARA QUE SERVE?


"O Mundo está cheio de livros preciosos que ninguém lê"

Umberto Eco



"Livros são os mais silenciosos e constantes amigos; os mais acessíveis e sábios conselheiros; e os mais pacientes professores."

Charles W. Elliot



"É claro que meus filhos terão computadores, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história."

Bill Gates



"A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde."

André Maurois



"A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo."

Joseph Addison



"A leitura é uma conversação com os homens mais ilustres dos séculos passados."

René Descartes



"A leitura especializada é útil, a diversificada dá prazer."

Séneca



"A leitura engrandece a alma."
Voltaire



"A leitura nutre a inteligência."

Séneca

SUGESTÕES DE LEITURA

1. Versos com Reversos de João Pedro Mésseder



Na primeira parte deste livro, dirigida aos mais novos, as palavras entretêm-se por vezes nos seus jogos de sons e de significados. Na segunda parte, disfarçadas de meninas sérias, convidam leitores mais crescidos a partir com elas a descobrir mundos: o dia, a noite, os seres que os povoam. E assim procuram dar a ver o avesso de cada coisa ou de cada criatura, escondido no reverso de um verso ou de uma palavra. Não foi sempre essa uma das ambições da poesia?


Tabuada dos dois

Dois vezes um dois.
Carrega-me com os bois.

Dois vezes dois quatro.
Engraxa-me os sapatos.

Dois vezes três seis.
Ganhas uns vinténs.
Dois vezes quatro oito.
Talvez sete ou oito.

Dois vezes cinco dez.
Escova os canapés.

Dois vezes seis doze.
Afinal dou-te onze.

Dois vezes sete catorze.
Nem onze nem doze.

Dois vezes oito dezasseis.
Só te dou é seis.

Dois vezes nove dezoito.
Faço-te num oito.

Dois vezes dez vinte.
Chega de preguiça.

Não sou tua criada.
Só te dou de meu
esta rima errada.


2. Constantino guardador de vacas e de sonhos




Pequeno labirinto de nomes e alcunhas


«Tem doze anos, mas não deitou muito corpo para a idade. Ainda está a tempo. Um homem cresce até ao fim da vida, se não em altura, pelo menos em obras e ambições. E nisso promete.Por voto do padrinho e assentimento dos pais, recebeu no registo o nome de Constantino. É um nome bonito, sim senhor. Na aldeia não há outro igual, e isso é bom, pensou a mãe; escusa uma pessoa de matar a cabeça como em certas casas em que os homens usam o mesmo nome e ninguém se entende. Na Chamboeira conheceu ela uma mulher, a Ti Pirralha, metida num inferno de portas adentro por causa de o marido, o filho e o neto se chamarem António.Enquanto o rapaz foi pitorro, tudo correu bem. Um era o António Grande, o outro só António e o mais novo o António Pequeno, O rapaz porém, deitou muito corpo, e depressa, enquanto o avô continuou cartaxinho, cartaxinho e melindroso, pois começou a pôr-se de vidro fino quando a mulher lhe chamava Grande, vendo nisso uma artimanha dela para se vingar de certas desfeitas que lhe fazia quando bebia um copo a mais.«Grandes são os burros», refilava então o velho, muito rezingão, com reumático nas cruzes, umas dores parvas como dentadas de lobo. Mas andou tudo raso naquele casal quando a Ti Pirralha o tratou por António Velho para chamar Novo ao neto, o que incendiou o marido, e de tal jeito que a mulher teve de se esconder três dias em casa duma vizinha.«Velhos são os trapos!», gritava o António Pirralha chamando corja ao povo inteiro da sua aldeia – que não gostava muito dele, valha a verdade.Foi isto mais ou menos o que a mãe do Constantino lembrou ao marido para defender o nome escolhido pelo compadre. Constantino era um nome bonito para rapaz.»


Alves Redol, Constantino Guardador de Vacas e de Sonhos, Editorial Caminho, Lisboa, 20ª ed, 1990


3. TERNURA de Eduardo Olímpio




Aos 15 anos


"Minha Nossa Senhora, rebentou dentro de mim essa coisa maravilhosa a que chamamos Vida. Aprendi a gostar dos rios e dos pássaros, das moças e dos trovões, rebolei-me em todo o chão do meu Alentejo, comi barro, abracei lama, cicatrizei-me de penhascos. E descobri que o amor nasce todos os dias nas folhas dos aloendros, nas espigas do centeio, debruado de sol e girassóis com montanhas de ternura pelo meio.Oh, Meus belos companheiros de Melides: Barrinha sabido que já correra Marrocos e Mourarias, roubara carteiras a "camones" e beduínos mas de tudo se desprendia como a fonte se dá em água. E tu, maravilhoso António Rodrigues dos Santos, homem de 15 anos, chefe da casa, que mortos já eram teu pai, tua mãe e teu irmão? E tu, meu Chico Velhinho, bobo da corte, com um sorriso tão dramático e doloroso, que ainda hoje, quando penso em ti, me sinto culpado de todas as insensibilidades do mundo. E tu, meu caro Arménio, complexado filho-de-pai-incógnito, anátema que só uma virgem mas indestrutível solidariedade do nosso clã transformou num homem bom, aberto, camarada?E tu, e tu e tu, ó tantos amigos, tanta moça amada, tantos velhos cavadores que me ensinaram, sobre poiais frescos das velhas casas, os ângulos da pedra filosofal...Quinze anos. Quinze anos. Quinze anos. A vida toda despida à minha frente em arremessos de amor, chão, ternura e amizade:- Foi aos quinze anos que descobri que um homem sozinho não vale nada."


Eduardo Olímpio - Ternura
4. Cem anos de solidão






"[...]
Você está a sentir-se mal? - perguntou-lhe.Remedios, a bela, que segurava o lençol pelo outro extremo, teve um sorriso de piedade.- Pelo contrário - disse, - nunca me senti tão bem. Acabava de dizer isto quando Fernanda sentiu que um delicado vento de luz lhe arrancava os lençóis das mãos e os estendia em todaa sua amplitude. Amaranta sentiu um tremor misterioso nas rendas das suas anáguas e tratou de se agarrar ao lençol para não cair, no momento em que Remedios, a bela, começava a ascender. Úrsula, já quase cega, foi a única que teve serenidade para identificar a natureza daquele vento irremediável e deixou os lençóis à mercê da luz, olhando para Remedios, a bela, que lhe dizia adeus com a mão, entre o deslumbrante bater de asas dos lençóis que subiam com ela, que abandonavam com ela o ar dos escaravelhos e das dálias e passavam com ela através do ar onde as quatro da tarde terminavam, e com ela se perderam para sempre nos altos ares onde nem os mais altos pássaros da memória a podiam alcançar.[...]"


Gabriel García Márquez - excerto de Cem anos de solidão (Pub. EA , 1971)



5. MORTE EM VENEZA de Thomas Mann


" Imagem e espelho! Os seus olhos abraçaram a nobre silhueta adiante, na borda do mar azul, e, num arroubo de encantamento, teve a percepção de que este relance o compenetrava da própria essência do belo, da forma como pensamento divino, da perfeição única e pura que habita o espírito e ali erigia, para adoração, uma imagem, um símbolo claro e gracioso. Era esse o seu êxtase. E o artista no declínio da vida acolheu-o sem hesitar, avidamente mesmo. O seu espírito abriu-se como que em trabalho de parto, toda a sua formação e cultura efervesceram, sofreram mutação, a sua memória fez aflorar pensamentos primitivos, transmitidos como lendas à sua juventude e até então nunca avivados por chama própria. Não estava escrito que o sol diverte a nossa atenção das coisas do intelecto para as coisas dos sentidos? Segundo se dizia, ele atordoa e enfeitiça a razão e a memória, ao ponto de a alma, afundada em prazer, esquecer totalmente o seu estado real, ficando presa em êxtase ao mais belo dos objectos iluminados pelo Sol, e então é só com a ajuda de um corpo que ela encontra forças para se elevar a contemplações mais altas. Na verdade, Amor fazia o mesmo que os matemáticos, apresentando às crianças não dotadas imagens tangíveis das formas puras: assim o deus se comprazia em servir-se também, para nos tornar visível o espiritual, da forma e cor da juventude humana, que enfeitava com todo o esplendor da beleza, para instrumento da lembrança, fazendo-nos inflamar, ao vê-la, de dor e esperança.Assim pensava o espírito exaltado de Aschenbach; assim se revelava o poder dos seus sentimentos. E o marulhar das águas e o brilho do Sol teceram a seus olhos uma imagem encantadora. Era o velho plátano não distante das muralhas de Atenas — aquele local divinamente sombrio, cheio da fragrância das flores de agnocasto, ornado de imagens sagradas e oferendas piedosas em honra das ninfas e de Acheloo. O ribeiro caía límpido aos pés da árvore frondosa, sobre cascalho liso: os grilos cantavam. Sobre a relva, porém, que descia em declive ligeiro, onde se podia, estando deitado, manter a cabeça mais alta, estavam dois homens estendidos, ali protegidos do calor intenso do dia: um velho e um rapaz, um frio, o outro belo, a sapiência a par da graça. E, entre graças e brincadeiras espirituosas, Sócrates ilustrava Fedro acerca do desejo e da virtude. Falava-lhe do sobressalto ardente sofrido pela pessoa sensível quando esta vislumbra uma imagem da beleza eterna; falava--lhe do apetite do impuro e do mau, que não pode conceber a beleza, ao ver a sua imagem, e é incapaz de veneração; falava-lhe do temor sagrado que assalta o virtuoso à aparição de um semblante divino, um corpo perfeito — como ele estremece e se transporta, mal ousando olhar, venerando aquele que possui a beleza, sim, estando disposto a oferecer-lhe sacrifícios como a uma estátua, se não receasse passar por louco. Pois que a beleza, meu Fedro, e só ela, é digna de ser amada e visível ao mesmo tempo: ela é — nota bem! — a única forma do espiritual que recebemos através dos sentidos e que podemos suportar pelos sentidos. Ou então, o que seria de nós se, por outro lado, o divino, a razão, a virtude e a verdade se nos quisessem revelar através dos sentidos? Acaso não morreríamos e nos consumiríamos de amor, como outrora Sémele perante Zeus? Assim, a beleza é o caminho do homem sensível para o espírito — só o caminho, um meio apenas, pequeno Fedro... E em seguida proferiu o mais subtil, aquele cortejador astuto: ou seja, que o amante é mais divino que o amado, visto que naquele existe o deus e nestoutro não -- ideia que talvez seja a mais terna e a mais irónica que jamais foi pensada e da qual nasce toda a malícia e a mais secreta volúpia do desejo."

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A DECLARAÇÃO

A DECLARAÇÃO





3 - CARACTERÍSTICAS

* FINALIDADE: Expressar ou manifestar, de um modo claro e categórico, uma disposição: vontade, decisão ou depoimento.

* INTENCIONALIDADE COMUNICATIVA: Compromisso do emissor na realização do que declarou.

* DISCURSO:

Registo formal:

* modelos predefinidos:

- declarações de compromisso;
- negocial;
- de impostos;
- …

* concepção de acordo com as situações específicas e os intervenientes:

- declarações de inconstitucionalidade;
- de voto;
- conjuntas;
- de acórdão;
- sentença;
- despacho;
- parecer ou decisão;
- …

* expressa ( escrita ou através de outro qualquer meio directo de manifestação da vontade);

* tácita ( deduzida de factos que, com toda a probabilidade, a revelam).


* Características da linguagem

● Muitas declarações possuem minutas e/ou impressos próprios;
● Utilização de vocabulário simples e adequado às situações.

4 - ESTRUTURA:

- ABERTURA

- identificação do declarante;
- muitas declarações têm formas específicas de abertura:
“Declaro, por minha honra,…”;
“Juro, por minha honra,…”;
“Para os devidos efeitos se declara que…”.

- ENCADEAMENTO

- assunto/ disposições e objectivos/ finalidade a que se destina;
- pode ter fórmulas específicas:


“Declara assumir o compromisso de…”, “Declara, para os efeitos consignados no nºX, do artigo Y da lei…” .

- FECHO

- data e assinatura do declarante;
- pode ter formas específicas de terminar.

FICHA FORMATIVA SOBRE O REQUERIMENTO

Lê o texto com atenção e responde às questões que se seguem.

Fracos níveis de Literacia entre os rapazes preocupam países desenvolvidos

Elas interessam-se mais pela leitura, ficam satisfeitas se recebem um livro como prenda, não se importam de passar uns momentos numa livraria. Gostam assumidamente de ler, de preferência todos os dias, sobretudo ficção, ainda que leiam também jornais ou revistas. Consideram-se, de resto, leitoras competentes. Mas se as letras as atraem, o mesmo não se pode dizer dos números. As raparigas de 15 anos dos países desenvolvidos acham que não têm muito jeito para a matemática. Com uma excepção: Portugal é o único da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) onde também nesta área elas parecem mais interessadas do que eles.
De facto, quase universalmente, os rapazes gostam mais de matemática do que as raparigas. Já a leitura não é com eles. Os rapazes dizem que se interessam pouco por livros: 40% (média da OCDE) dos jovens do sexo masculino com 15 anos revelam que simplesmente não pegam num livro por prazer pessoal. Um terço dos rapazes portugueses partilha da mesma ideia. Estes são mais alguns resultados de um estudo da OCDE divulgado esta semana, cujo objectivo principal era avaliar as competências dos alunos de 15 anos, de 32 países, quando confrontados com exercícios ligados a situações da vida real.
Apesar de dizer que estes dados devem ser aprofundados em estudos futuros, a OCDE não tem dúvidas em afirmar para já que os hábitos, os interesses e também o sentimento de autoconfiança manifestados pelos jovens estão ligados ao seu desempenho e às competências que desenvolvem. E que, de facto, parece ser claro que há “assuntos” ― como a leitura ― que interessam mais ao sexo feminino e outros mais ao masculino, como a matemática. À escola cabe, segundo os peritos, minimizar estes factores. Eventualmente apostando em promover hábitos de leitura também entre os rapazes e motivando as miúdas para os números.
Um olhar sobre as médias da OCDE nos três tipos de literacia testados ― leitura, matemática e ciências ― revela o seguinte: elas têm resultados significativamente melhores do que eles na leitura, em todos os países; na literacia matemática, os rapazes superam as raparigas em metade dos países (incluindo Portugal); nas ciências, as diferenças entre sexos não são estatisticamente significativas na maioria dos casos (nomeadamente em Portugal).
Não são as diferenças médias na matemática que mais preocupam a OCDE (até porque elas escondem que não há muitos rapazes que se distinguem imenso das raparigas ― o que há é, em muitos países, uma pequena percentagem de rapazes verdadeiramente brilhantes que fazem com que a média masculina suba). É o desempenho (generalizado) do sexo masculino na leitura ― aí sim, significativamente díspar ― que mais apreensão causa.
(…)
“No passado, as preocupações relacionadas com as diferenças entre sexos estavam centradas no défice de desempenho das mulheres. Entretanto, elas não só progrediram como ultrapassaram os homens em muitos aspectos, ao ponto de hoje, sobretudo nalguns países, as preocupações estarem todas viradas para as dificuldades dos rapazes”, lê-se no relatório.
(…)
Em suma, os países “não estão a ser bem sucedidos na eliminação das diferenças entre sexos”. Por isso, continua a OCDE, os fracos resultados que, globalmente, os rapazes obtêm são, cada vez mais, “um desafio para os decisores políticos”. Há alguns exemplos a seguir, como o da Coreia do Sul onde de uma maneira geral parece haver “uma ambiente de aprendizagem que beneficia ambos os sexos”. Resta agora saber porquê.

Andreia Sanches, in Público, 9 de Dezembro de 2001 (texto adaptado)

I GRUPO

1. Explica, por palavras tuas, os resultados do estudo efectuado pela OCDE.

2. Refere o objectivo principal desse estudo.

3. Tendo tudo o anterior em conta, indica o papel que a escola poderá ter.

4. Indica as médias obtidas nos vários tipos de literacia.

5. Explica por que razão as diferenças médias na matemática, a favor dos rapazes, são ilusórias.

6. Comenta a seguinte afirmação: «Os resultados deste estudo sugerem uma grande mudança.»

7. A Coreia do Sul é citada como um bom exemplo. Porquê?

II GRUPO

1. Retira do texto dois advérbios de modo e explica a sua formação.

2.
2.1. Identifica dois conectores no texto e refere a sua função na coesão textual.

2.2. Completa a frase usando um conector adequado:

Os resultados do estudo da OCDE devem ser tidos em conta …
3.
3.1. Identifica os tipos das frases seguintes:

a) Não gosto nada de ler!

b) As raparigas lêem mais do que os rapazes.

c) Gostaste desse livro?

d) Deves ler mais.

3.2. A partir das respostas dadas, formula as perguntas mais adequadas e indica se são interrogativas totais ou parciais.

a) Não, ainda não li esse livro.

b) Eu prefiro livros de aventuras.

4. Identifica a pessoa, o número, o tempo e o modo das formas verbais presentes na seguinte frase:

Os resultados do estudo da OCDE revelam que existiu uma alteração que os estudiosos do tema não suspeitavam.
III GRUPO

Imagina que, enquanto delegado de turma, desejas organizar uma visita de estudo às instalações do Jornal Público, no âmbito do estudo do texto jornalístico, que está a ser desenvolvido na disciplina de Português.

1. De acordo com as regras que aprendeste, redige um Requerimento ao Presidente do Conselho Executivo, solicitando a autorização para essa visita.

FICHA DE TRABALHO SOBRE «O REQUERIMENTO»

Actividade:

Pré-Leitura

1 – Tendo em conta a designação “requerimento”, indica algumas situações em que, na tua opinião, se utilize esta tipologia textual.

2 – Apresenta o significado das seguintes palavras:


2.1 – requerente;
2.2 – requerimento;
2.3 – requerido;
2.4 – deferimento.

3 – Observa e descreve a mancha gráfica do texto a seguir apresentado.


Leitura




1 – Lê o texto atentamente.


2 – Identifica:

2.1 - O emissor ou requerente;
2.2 – A entidade ou instituição a que se requer;
2.3 – O que se requer;
2.4 – Os elementos de identificação exigidos;
2.5 – A fórmula final.

3 – Descreve o contexto subjacente à produção do texto lido.

4 – Caracteriza o discurso do texto, tendo em conta a pessoa gramatical predominante.


Pós-Leitura

1 – Revê com atenção as respostas que deste às questões e corrige eventuais deficiências.

2 – Participa atentamente nas actividades de sistematização que vão ser feitas posteriormente.

O REQUERIMENTO: DEFINIÇÃO E TIPOS


REQUERIMENTO





DEFINIÇÃO DE REQUERIMENTO – petição por escrito, segundo as normas legais, na qual se solicita alguma coisa a uma entidade oficial, da justiça ou da administração.


1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

Dá-se o nome de requerimento a uma petição geralmente escrita, segundo as normas legais, dirigida a uma entidade oficial, da justiça ou da administração.

Intencionalidade comunicativa - Solicitar algo a que se tem direito ou se julga ter:

- obter informações sobre determinado assunto;
- solicitar providências;
- convocar uma ou mais sessões;
- obter determinado documento;
- …


Obedece a uma estrutura formal e linguística, normalizada por formulários dos serviços competentes. Deve:

- ser preenchido com clareza e perfeição;
- ser apresentado numa folha branca, ou formulário fornecido para o efeito;
- separar os diferentes pontos do texto por um espaço em branco.


Frequentemente obedece a um texto designado por “minuta” (o modelo) e, depois de preenchido, o original fica nos serviços competentes e a cópia é entregue ao requerente, após autenticação com o selo do estabelecimento.



CARTA DE APRESENTAÇÃO E CURRICULUM VITAE


Como redigir uma carta de apresentação

Um curriculum vitae deve ser sempre acompanhado por uma carta de apresentação, quer o candidato responda a um emprego público, quer se candidate espontaneamente a um escritório, sociedade de Advogados, empresas públicas ou privadas.

O curriculum apresenta as habilitações e as experiências profissionais, mas não é o suficiente para delinear o perfil do candidato: a carta de apresentação torna-se, por isso, um instrumento de apresentação formal, apelativo e sintético.

Uma carta de apresentação deve ser redigida sem erros ortográficos, gralhas e construções frásicas incorrectas. Tendo em atenção que o candidato está a dirigir-se a uma entidade de perfil desconhecido (que irá avaliar o seu percurso profissional e académico), por isso deve a carta ser redigida numa linguagem cuidada e formal.

Na carta de apresentação deve constar o nome, e caso esteja a trabalhar, a função e o local de trabalho. No caso de não estar a exercer qualquer actividade, ou estar a trabalhar numa função não direccionada ao lugar a que se candidata, explicite o porquê da sua candidatura.

Não escreva uma carta demasiado longa e detalhada: nem toda as pessoas têm tempo para ler a carta com a devida atenção. Seja conciso, objectivo e destaque as suas qualidades. Refira as áreas profissionais que mais lhe interessam, ou na quais se especializou. Também é importante deixar transparecer a sua opinião sobre o trabalho de equipa e a sua posição nas relações inter-pessoais.

Apresente as razões pelas quais acha que a escolha deverá recair na sua pessoa, ou quais as mais-valias associadas à sua contratação. Não obstante, faça-o sempre de forma moderada, ou corre o risco de ser considerado demasiado convencido e ter demasiadas certezas. Não exagere as suas qualidades ou resultados anteriores: seja, acima de tudo, verdadeiro e honesto consigo próprio e para com o seu eventual/futuro empregador.


No final da carta, despeça-se disponibilizando-se para uma entrevista, por forma a estabelecer um contacto mais próximo e real.

Faça um rascunho da carta, leia e releia, demore o tempo que achar necessário à sua redacção. Adapte o texto consoante o local a que se candidata, tendo em atenção o trabalho desenvolvido e os objectivos de cada entidade. É importante que sejam estabelecidos pontos de identificação entre o candidato e o empregador.

A carta de apresentação pode ser escrita à mão ou impressa em papel (à escolha do candidato). No entanto, quando se pretende que a carta seja manuscrita, as entidades referem sempre essa intenção nos anúncios, intenção essa que deve ser satisfeita.

À semelhança do curriculum, a carta tem que ser datada e assinada por mão própria, de preferência com uma letra legível.

Em suma:

- um curriculum deve ser sempre acompanhado por uma carta de apresentação;

- uma carta de apresentação deve ser redigida com muito zelo, concisa e objectiva;

- uma carta de apresentação deve expor as qualidades do candidato, as funções mais relevantes já exercidas e as razões pelas quais a escolha terá de recair no mesmo;
- uma carta de apresentação deve ser sempre datada e assinada.
Modelo Europeu de Curriculum Vitae
1. Informação pessoal:
- Nome:
- Morada:
- Telefone:
- Fax:
- Correio electrónico:
- Nacionalidade:
- Estado Civil:
- Carta de Condução:
- Disponibilidade:
2. Experiência(s) profissional(ais):
- Datas (de... até):
- Nome e endereço do empregador:
- Tipo de empresa ou sector:
- Função ou cargo ocupado:
- Principais actividades e responsabilidades:
3. Formação académica e profissional:
• Datas (de – até):
• Nome e tipo da organização de ensino ou formação:
• Principais disciplinas/competências profissionais:
• Designação da qualificação atribuída:
• Classificação obtida (se aplicável):
4. Aptidões e competências pessoais:
(Adquiridas ao longo da vida ou da carreira, mas não necessariamente abrangidas por certificados e diplomas formais)
5. Primeira língua:
(indique a língua materna)
6. Outras línguas:
• Compreensão escrita
• Expressão escrita
• Expressão oral
7. Outras aptidões e competências
8. Anexos
(Inclua nesta rubrica qualquer outra informação pertinente: por exemplo, pessoas de contacto, referências, etc. )

CARTAS DE AMOR

Cartas de amor

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que sãoRidículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, 21-10-1935 ( Heterónimo de Fernando Pessoa)

Actividade 1:

1. Neste poema, há uma aparente contradição. Por um lado "as cartas de amor.. têm de ser ridículas", por outro, as pessoas que nunca as escrevem "é que são ridículas". Explica, por palavras tuas, o pensamento do poeta.

2. O poeta tem saudades do tempo em que escrevia cartas de amor. Transcreve a estrofe que contém essa afirmação.

3. O que pensas das cartas de amor?

EXEMPLO DE UMA RECLAMAÇÃO


COMO FAZER UMA RECLAMAÇÃO


CARTA DE RECLAMAÇÃO


Exercício:

Imagina que o livro chegou com algumas folhas em branco. Elabora uma carta a pedir a sua substituição.

CARTA DE RESPOSTA A UM ANÚNCIO

A carta é, seguramente, um dos instrumentos mais úteis em situações diversas. Para além da carta de amor ou da carta a um(a) amigo(a), outras há que importa conhecer.

Carta - resposta a um anúncio

Maria Helena Costa Faria
Rua do Moinho, 37
9580 VILA DO PORTO
Tel: 628587

Vila do Porto, 15 de Agosto de 2007
Ex.mo Senhor,

Em resposta ao anúncio de V. Exa., publicado no Diário Insular de 15 do corrente mês, sob o número 777/07, venho por este meio candidatar-me ao emprego publicitado, pois julgo ter o perfil pretendido.
Com esse objectivo, remeto a V. Exa. o meu curriculum vitae colocando-me, desde já, à vossa disposição para um posterior contacto, onde poderei fornecer outras informações sobre a minha formação e experiência profissional.
Agradecendo antecipadamente toda a atenção que me queiram dispensar, subscrevo-me, com a mais elevada consideração.
Atentamente,

Maria Helena Costa Faria
Anexo: Curriculum Vitae
Actividade:

1. Elabora uma carta de apresentação/ candidatura, dando resposta ao seguinte anúncio de oferta de emprego:
PRECISA-SE

ACTOR/ACTRIZ

A Companhia de Teatro Vicentina admite actor/actriz, entre os 15 e os 20 anos, para integrar a peça de teatro “Um Novo Mundo”.

Resposta para:

Director Geral da Companhia de Teatro Vicentina,
Av. D.Pedro II, n.º2, 1º Dt.º, 8000-122 Faro
Diário do Sul, 10-11-05.
Enviar Curriculum Viate (modelo europeu)

FICHA DE TRABALHO SOBRE A CARTA

TEXTO

Minha querida Emília

Estamos aqui com um tremendo calor. Trinta graus à sombra na sala. Tenho saudades do mar, e dos pinhais de Paris-Plage. Arranjei o jardim para o usar como campo: mas faz lá mais calor do que dentro de casa, e os mosquitos abundam. A minha vida segue solitária e laboriosa – mas, graças a Deus, com saúde, a saúde costumada, uma mediania. Somente, com a enervação deste calor, tenho uma tal preguiça de estômago, que só posso jantar das 9 para as 10 da noite – às vezes em casa, Quelque chose de froid, outras vezes num restaurante do bairro. Não posso por isso acompanhar o Rosa, que janta sempre fora, mas a horas cristãs. Ele almoçou cá com o Falcão antes de ontem, para se fazerem grandes fotografias da Maria Teresa. Infelizmente o Falcão apareceu sem a máquina, que na véspera se desmanchara, depois de violentos trabalhos sobre o mar e sobre a terra (Dieppe, etc.). Rosa parte para Trouville para a semana elegante.
Noto o que dizes no teu bilhete de hoje sobre o Hotel. Porque não mudas? Agora que a estação já avança, talvez achasses um melhor Hotel, pelo mesmo preço, ou talvez ainda por melhor cómodo. Sobretudo tu que projectas estar um mês.
A casa avança com lentidão na sua limpeza. Antevejo com susto despesas inevitáveis. Assim, a Mme. Mars pretende que a nossa batterie de cuisine está fora de uso! Também me parece impossível deixar o office naquela imundície. E o quarto dos brinquedos precisaria bem papel e prateleiras. Mas tudo isso demanda reflexão.
Já devo carta à Marie e ao Zézé – mas enquanto me não desembaraçar da Revista, que é quase todo feito por mim e que me apanhou em veia, não tenho tempo para prazeres.
Têm feito fotografias? Mando uma carta da Benedita. Mil e mil beijos aos queridos meninos e para ti também larga dose do teu
José
Eça de Queirós, Correspondência (texto com cortes)
VOCABULÁRIO:

quelque chose de froid - alguma coisa fria
batterie de cuisine - trem de cozinha
office - escritório

I

O texto é uma carta informal, e como tal, destina-se a manter a comunicação, à distância com familiares e amigos.

1. Identifica o remetente e o destinatário.

2. Que relação familiar haverá entre estas duas pessoas. Justifica a tua resposta.

3. Refere dois temas, que fazem parte do assunto da carta.

4. Transcreve duas frases do texto que mostram a preocupação do remetente com a destinatária.

5. Qual a profissão do remetente. Explica-a com expressões do texto.

6. Refere duas marcas autobiográficas presentes na carta.

7. Explica o sentido das seguintes expressões:

· “a minha vida solitária e laboriosa”;

· “a saúde costumada”;

· “despesas inevitáveis”.

8. Refere três diferenças entre uma carta informal e uma formal.
II
1. Classifica morfologicamente as palavras a negrito na seguinte frase: “a casa avança com lentidão na limpeza”.

2. Escreve de novo a frase “Antevejo com susto despesas inevitáveis”, com o verbo no:

- Pretérito Imperfeito do Indicativo;

- Futuro Imperfeito do Indicativo.

3. Explica o processo de formação das palavras: “inevitáveis” e “lentidão”.

4. Identifica dois conectores na frase: “Não posso por isso acompanhar Rosa, que janta sempre fora, mas a horas cristãs”.
III

Nos nossos dias o telemóvel veio de certo modo, substituir outros meios de comunicação interpessoais, quer orais, quer escritos. Contudo, em determinadas situações, impõe-se o registo escrito.
Imagina que foste incumbido da tarefa de escrever uma carta a um familiar que, tendo emigrado para a Austrália, pretende adquirir uma vivenda, na cidade que abandonou há duas décadas. Nessa carta, procura descrever a casa, a localização, o preço e acrescentar que toda a família pensa que é um bom negócio e está muito satisfeita com regresso.