quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

SUGESTÕES DE LEITURA

1. Versos com Reversos de João Pedro Mésseder



Na primeira parte deste livro, dirigida aos mais novos, as palavras entretêm-se por vezes nos seus jogos de sons e de significados. Na segunda parte, disfarçadas de meninas sérias, convidam leitores mais crescidos a partir com elas a descobrir mundos: o dia, a noite, os seres que os povoam. E assim procuram dar a ver o avesso de cada coisa ou de cada criatura, escondido no reverso de um verso ou de uma palavra. Não foi sempre essa uma das ambições da poesia?


Tabuada dos dois

Dois vezes um dois.
Carrega-me com os bois.

Dois vezes dois quatro.
Engraxa-me os sapatos.

Dois vezes três seis.
Ganhas uns vinténs.
Dois vezes quatro oito.
Talvez sete ou oito.

Dois vezes cinco dez.
Escova os canapés.

Dois vezes seis doze.
Afinal dou-te onze.

Dois vezes sete catorze.
Nem onze nem doze.

Dois vezes oito dezasseis.
Só te dou é seis.

Dois vezes nove dezoito.
Faço-te num oito.

Dois vezes dez vinte.
Chega de preguiça.

Não sou tua criada.
Só te dou de meu
esta rima errada.


2. Constantino guardador de vacas e de sonhos




Pequeno labirinto de nomes e alcunhas


«Tem doze anos, mas não deitou muito corpo para a idade. Ainda está a tempo. Um homem cresce até ao fim da vida, se não em altura, pelo menos em obras e ambições. E nisso promete.Por voto do padrinho e assentimento dos pais, recebeu no registo o nome de Constantino. É um nome bonito, sim senhor. Na aldeia não há outro igual, e isso é bom, pensou a mãe; escusa uma pessoa de matar a cabeça como em certas casas em que os homens usam o mesmo nome e ninguém se entende. Na Chamboeira conheceu ela uma mulher, a Ti Pirralha, metida num inferno de portas adentro por causa de o marido, o filho e o neto se chamarem António.Enquanto o rapaz foi pitorro, tudo correu bem. Um era o António Grande, o outro só António e o mais novo o António Pequeno, O rapaz porém, deitou muito corpo, e depressa, enquanto o avô continuou cartaxinho, cartaxinho e melindroso, pois começou a pôr-se de vidro fino quando a mulher lhe chamava Grande, vendo nisso uma artimanha dela para se vingar de certas desfeitas que lhe fazia quando bebia um copo a mais.«Grandes são os burros», refilava então o velho, muito rezingão, com reumático nas cruzes, umas dores parvas como dentadas de lobo. Mas andou tudo raso naquele casal quando a Ti Pirralha o tratou por António Velho para chamar Novo ao neto, o que incendiou o marido, e de tal jeito que a mulher teve de se esconder três dias em casa duma vizinha.«Velhos são os trapos!», gritava o António Pirralha chamando corja ao povo inteiro da sua aldeia – que não gostava muito dele, valha a verdade.Foi isto mais ou menos o que a mãe do Constantino lembrou ao marido para defender o nome escolhido pelo compadre. Constantino era um nome bonito para rapaz.»


Alves Redol, Constantino Guardador de Vacas e de Sonhos, Editorial Caminho, Lisboa, 20ª ed, 1990


3. TERNURA de Eduardo Olímpio




Aos 15 anos


"Minha Nossa Senhora, rebentou dentro de mim essa coisa maravilhosa a que chamamos Vida. Aprendi a gostar dos rios e dos pássaros, das moças e dos trovões, rebolei-me em todo o chão do meu Alentejo, comi barro, abracei lama, cicatrizei-me de penhascos. E descobri que o amor nasce todos os dias nas folhas dos aloendros, nas espigas do centeio, debruado de sol e girassóis com montanhas de ternura pelo meio.Oh, Meus belos companheiros de Melides: Barrinha sabido que já correra Marrocos e Mourarias, roubara carteiras a "camones" e beduínos mas de tudo se desprendia como a fonte se dá em água. E tu, maravilhoso António Rodrigues dos Santos, homem de 15 anos, chefe da casa, que mortos já eram teu pai, tua mãe e teu irmão? E tu, meu Chico Velhinho, bobo da corte, com um sorriso tão dramático e doloroso, que ainda hoje, quando penso em ti, me sinto culpado de todas as insensibilidades do mundo. E tu, meu caro Arménio, complexado filho-de-pai-incógnito, anátema que só uma virgem mas indestrutível solidariedade do nosso clã transformou num homem bom, aberto, camarada?E tu, e tu e tu, ó tantos amigos, tanta moça amada, tantos velhos cavadores que me ensinaram, sobre poiais frescos das velhas casas, os ângulos da pedra filosofal...Quinze anos. Quinze anos. Quinze anos. A vida toda despida à minha frente em arremessos de amor, chão, ternura e amizade:- Foi aos quinze anos que descobri que um homem sozinho não vale nada."


Eduardo Olímpio - Ternura
4. Cem anos de solidão






"[...]
Você está a sentir-se mal? - perguntou-lhe.Remedios, a bela, que segurava o lençol pelo outro extremo, teve um sorriso de piedade.- Pelo contrário - disse, - nunca me senti tão bem. Acabava de dizer isto quando Fernanda sentiu que um delicado vento de luz lhe arrancava os lençóis das mãos e os estendia em todaa sua amplitude. Amaranta sentiu um tremor misterioso nas rendas das suas anáguas e tratou de se agarrar ao lençol para não cair, no momento em que Remedios, a bela, começava a ascender. Úrsula, já quase cega, foi a única que teve serenidade para identificar a natureza daquele vento irremediável e deixou os lençóis à mercê da luz, olhando para Remedios, a bela, que lhe dizia adeus com a mão, entre o deslumbrante bater de asas dos lençóis que subiam com ela, que abandonavam com ela o ar dos escaravelhos e das dálias e passavam com ela através do ar onde as quatro da tarde terminavam, e com ela se perderam para sempre nos altos ares onde nem os mais altos pássaros da memória a podiam alcançar.[...]"


Gabriel García Márquez - excerto de Cem anos de solidão (Pub. EA , 1971)



5. MORTE EM VENEZA de Thomas Mann


" Imagem e espelho! Os seus olhos abraçaram a nobre silhueta adiante, na borda do mar azul, e, num arroubo de encantamento, teve a percepção de que este relance o compenetrava da própria essência do belo, da forma como pensamento divino, da perfeição única e pura que habita o espírito e ali erigia, para adoração, uma imagem, um símbolo claro e gracioso. Era esse o seu êxtase. E o artista no declínio da vida acolheu-o sem hesitar, avidamente mesmo. O seu espírito abriu-se como que em trabalho de parto, toda a sua formação e cultura efervesceram, sofreram mutação, a sua memória fez aflorar pensamentos primitivos, transmitidos como lendas à sua juventude e até então nunca avivados por chama própria. Não estava escrito que o sol diverte a nossa atenção das coisas do intelecto para as coisas dos sentidos? Segundo se dizia, ele atordoa e enfeitiça a razão e a memória, ao ponto de a alma, afundada em prazer, esquecer totalmente o seu estado real, ficando presa em êxtase ao mais belo dos objectos iluminados pelo Sol, e então é só com a ajuda de um corpo que ela encontra forças para se elevar a contemplações mais altas. Na verdade, Amor fazia o mesmo que os matemáticos, apresentando às crianças não dotadas imagens tangíveis das formas puras: assim o deus se comprazia em servir-se também, para nos tornar visível o espiritual, da forma e cor da juventude humana, que enfeitava com todo o esplendor da beleza, para instrumento da lembrança, fazendo-nos inflamar, ao vê-la, de dor e esperança.Assim pensava o espírito exaltado de Aschenbach; assim se revelava o poder dos seus sentimentos. E o marulhar das águas e o brilho do Sol teceram a seus olhos uma imagem encantadora. Era o velho plátano não distante das muralhas de Atenas — aquele local divinamente sombrio, cheio da fragrância das flores de agnocasto, ornado de imagens sagradas e oferendas piedosas em honra das ninfas e de Acheloo. O ribeiro caía límpido aos pés da árvore frondosa, sobre cascalho liso: os grilos cantavam. Sobre a relva, porém, que descia em declive ligeiro, onde se podia, estando deitado, manter a cabeça mais alta, estavam dois homens estendidos, ali protegidos do calor intenso do dia: um velho e um rapaz, um frio, o outro belo, a sapiência a par da graça. E, entre graças e brincadeiras espirituosas, Sócrates ilustrava Fedro acerca do desejo e da virtude. Falava-lhe do sobressalto ardente sofrido pela pessoa sensível quando esta vislumbra uma imagem da beleza eterna; falava--lhe do apetite do impuro e do mau, que não pode conceber a beleza, ao ver a sua imagem, e é incapaz de veneração; falava-lhe do temor sagrado que assalta o virtuoso à aparição de um semblante divino, um corpo perfeito — como ele estremece e se transporta, mal ousando olhar, venerando aquele que possui a beleza, sim, estando disposto a oferecer-lhe sacrifícios como a uma estátua, se não receasse passar por louco. Pois que a beleza, meu Fedro, e só ela, é digna de ser amada e visível ao mesmo tempo: ela é — nota bem! — a única forma do espiritual que recebemos através dos sentidos e que podemos suportar pelos sentidos. Ou então, o que seria de nós se, por outro lado, o divino, a razão, a virtude e a verdade se nos quisessem revelar através dos sentidos? Acaso não morreríamos e nos consumiríamos de amor, como outrora Sémele perante Zeus? Assim, a beleza é o caminho do homem sensível para o espírito — só o caminho, um meio apenas, pequeno Fedro... E em seguida proferiu o mais subtil, aquele cortejador astuto: ou seja, que o amante é mais divino que o amado, visto que naquele existe o deus e nestoutro não -- ideia que talvez seja a mais terna e a mais irónica que jamais foi pensada e da qual nasce toda a malícia e a mais secreta volúpia do desejo."

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A DECLARAÇÃO

A DECLARAÇÃO





3 - CARACTERÍSTICAS

* FINALIDADE: Expressar ou manifestar, de um modo claro e categórico, uma disposição: vontade, decisão ou depoimento.

* INTENCIONALIDADE COMUNICATIVA: Compromisso do emissor na realização do que declarou.

* DISCURSO:

Registo formal:

* modelos predefinidos:

- declarações de compromisso;
- negocial;
- de impostos;
- …

* concepção de acordo com as situações específicas e os intervenientes:

- declarações de inconstitucionalidade;
- de voto;
- conjuntas;
- de acórdão;
- sentença;
- despacho;
- parecer ou decisão;
- …

* expressa ( escrita ou através de outro qualquer meio directo de manifestação da vontade);

* tácita ( deduzida de factos que, com toda a probabilidade, a revelam).


* Características da linguagem

● Muitas declarações possuem minutas e/ou impressos próprios;
● Utilização de vocabulário simples e adequado às situações.

4 - ESTRUTURA:

- ABERTURA

- identificação do declarante;
- muitas declarações têm formas específicas de abertura:
“Declaro, por minha honra,…”;
“Juro, por minha honra,…”;
“Para os devidos efeitos se declara que…”.

- ENCADEAMENTO

- assunto/ disposições e objectivos/ finalidade a que se destina;
- pode ter fórmulas específicas:


“Declara assumir o compromisso de…”, “Declara, para os efeitos consignados no nºX, do artigo Y da lei…” .

- FECHO

- data e assinatura do declarante;
- pode ter formas específicas de terminar.

FICHA FORMATIVA SOBRE O REQUERIMENTO

Lê o texto com atenção e responde às questões que se seguem.

Fracos níveis de Literacia entre os rapazes preocupam países desenvolvidos

Elas interessam-se mais pela leitura, ficam satisfeitas se recebem um livro como prenda, não se importam de passar uns momentos numa livraria. Gostam assumidamente de ler, de preferência todos os dias, sobretudo ficção, ainda que leiam também jornais ou revistas. Consideram-se, de resto, leitoras competentes. Mas se as letras as atraem, o mesmo não se pode dizer dos números. As raparigas de 15 anos dos países desenvolvidos acham que não têm muito jeito para a matemática. Com uma excepção: Portugal é o único da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) onde também nesta área elas parecem mais interessadas do que eles.
De facto, quase universalmente, os rapazes gostam mais de matemática do que as raparigas. Já a leitura não é com eles. Os rapazes dizem que se interessam pouco por livros: 40% (média da OCDE) dos jovens do sexo masculino com 15 anos revelam que simplesmente não pegam num livro por prazer pessoal. Um terço dos rapazes portugueses partilha da mesma ideia. Estes são mais alguns resultados de um estudo da OCDE divulgado esta semana, cujo objectivo principal era avaliar as competências dos alunos de 15 anos, de 32 países, quando confrontados com exercícios ligados a situações da vida real.
Apesar de dizer que estes dados devem ser aprofundados em estudos futuros, a OCDE não tem dúvidas em afirmar para já que os hábitos, os interesses e também o sentimento de autoconfiança manifestados pelos jovens estão ligados ao seu desempenho e às competências que desenvolvem. E que, de facto, parece ser claro que há “assuntos” ― como a leitura ― que interessam mais ao sexo feminino e outros mais ao masculino, como a matemática. À escola cabe, segundo os peritos, minimizar estes factores. Eventualmente apostando em promover hábitos de leitura também entre os rapazes e motivando as miúdas para os números.
Um olhar sobre as médias da OCDE nos três tipos de literacia testados ― leitura, matemática e ciências ― revela o seguinte: elas têm resultados significativamente melhores do que eles na leitura, em todos os países; na literacia matemática, os rapazes superam as raparigas em metade dos países (incluindo Portugal); nas ciências, as diferenças entre sexos não são estatisticamente significativas na maioria dos casos (nomeadamente em Portugal).
Não são as diferenças médias na matemática que mais preocupam a OCDE (até porque elas escondem que não há muitos rapazes que se distinguem imenso das raparigas ― o que há é, em muitos países, uma pequena percentagem de rapazes verdadeiramente brilhantes que fazem com que a média masculina suba). É o desempenho (generalizado) do sexo masculino na leitura ― aí sim, significativamente díspar ― que mais apreensão causa.
(…)
“No passado, as preocupações relacionadas com as diferenças entre sexos estavam centradas no défice de desempenho das mulheres. Entretanto, elas não só progrediram como ultrapassaram os homens em muitos aspectos, ao ponto de hoje, sobretudo nalguns países, as preocupações estarem todas viradas para as dificuldades dos rapazes”, lê-se no relatório.
(…)
Em suma, os países “não estão a ser bem sucedidos na eliminação das diferenças entre sexos”. Por isso, continua a OCDE, os fracos resultados que, globalmente, os rapazes obtêm são, cada vez mais, “um desafio para os decisores políticos”. Há alguns exemplos a seguir, como o da Coreia do Sul onde de uma maneira geral parece haver “uma ambiente de aprendizagem que beneficia ambos os sexos”. Resta agora saber porquê.

Andreia Sanches, in Público, 9 de Dezembro de 2001 (texto adaptado)

I GRUPO

1. Explica, por palavras tuas, os resultados do estudo efectuado pela OCDE.

2. Refere o objectivo principal desse estudo.

3. Tendo tudo o anterior em conta, indica o papel que a escola poderá ter.

4. Indica as médias obtidas nos vários tipos de literacia.

5. Explica por que razão as diferenças médias na matemática, a favor dos rapazes, são ilusórias.

6. Comenta a seguinte afirmação: «Os resultados deste estudo sugerem uma grande mudança.»

7. A Coreia do Sul é citada como um bom exemplo. Porquê?

II GRUPO

1. Retira do texto dois advérbios de modo e explica a sua formação.

2.
2.1. Identifica dois conectores no texto e refere a sua função na coesão textual.

2.2. Completa a frase usando um conector adequado:

Os resultados do estudo da OCDE devem ser tidos em conta …
3.
3.1. Identifica os tipos das frases seguintes:

a) Não gosto nada de ler!

b) As raparigas lêem mais do que os rapazes.

c) Gostaste desse livro?

d) Deves ler mais.

3.2. A partir das respostas dadas, formula as perguntas mais adequadas e indica se são interrogativas totais ou parciais.

a) Não, ainda não li esse livro.

b) Eu prefiro livros de aventuras.

4. Identifica a pessoa, o número, o tempo e o modo das formas verbais presentes na seguinte frase:

Os resultados do estudo da OCDE revelam que existiu uma alteração que os estudiosos do tema não suspeitavam.
III GRUPO

Imagina que, enquanto delegado de turma, desejas organizar uma visita de estudo às instalações do Jornal Público, no âmbito do estudo do texto jornalístico, que está a ser desenvolvido na disciplina de Português.

1. De acordo com as regras que aprendeste, redige um Requerimento ao Presidente do Conselho Executivo, solicitando a autorização para essa visita.

FICHA DE TRABALHO SOBRE «O REQUERIMENTO»

Actividade:

Pré-Leitura

1 – Tendo em conta a designação “requerimento”, indica algumas situações em que, na tua opinião, se utilize esta tipologia textual.

2 – Apresenta o significado das seguintes palavras:


2.1 – requerente;
2.2 – requerimento;
2.3 – requerido;
2.4 – deferimento.

3 – Observa e descreve a mancha gráfica do texto a seguir apresentado.


Leitura




1 – Lê o texto atentamente.


2 – Identifica:

2.1 - O emissor ou requerente;
2.2 – A entidade ou instituição a que se requer;
2.3 – O que se requer;
2.4 – Os elementos de identificação exigidos;
2.5 – A fórmula final.

3 – Descreve o contexto subjacente à produção do texto lido.

4 – Caracteriza o discurso do texto, tendo em conta a pessoa gramatical predominante.


Pós-Leitura

1 – Revê com atenção as respostas que deste às questões e corrige eventuais deficiências.

2 – Participa atentamente nas actividades de sistematização que vão ser feitas posteriormente.

O REQUERIMENTO: DEFINIÇÃO E TIPOS


REQUERIMENTO





DEFINIÇÃO DE REQUERIMENTO – petição por escrito, segundo as normas legais, na qual se solicita alguma coisa a uma entidade oficial, da justiça ou da administração.


1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

Dá-se o nome de requerimento a uma petição geralmente escrita, segundo as normas legais, dirigida a uma entidade oficial, da justiça ou da administração.

Intencionalidade comunicativa - Solicitar algo a que se tem direito ou se julga ter:

- obter informações sobre determinado assunto;
- solicitar providências;
- convocar uma ou mais sessões;
- obter determinado documento;
- …


Obedece a uma estrutura formal e linguística, normalizada por formulários dos serviços competentes. Deve:

- ser preenchido com clareza e perfeição;
- ser apresentado numa folha branca, ou formulário fornecido para o efeito;
- separar os diferentes pontos do texto por um espaço em branco.


Frequentemente obedece a um texto designado por “minuta” (o modelo) e, depois de preenchido, o original fica nos serviços competentes e a cópia é entregue ao requerente, após autenticação com o selo do estabelecimento.



CARTA DE APRESENTAÇÃO E CURRICULUM VITAE


Como redigir uma carta de apresentação

Um curriculum vitae deve ser sempre acompanhado por uma carta de apresentação, quer o candidato responda a um emprego público, quer se candidate espontaneamente a um escritório, sociedade de Advogados, empresas públicas ou privadas.

O curriculum apresenta as habilitações e as experiências profissionais, mas não é o suficiente para delinear o perfil do candidato: a carta de apresentação torna-se, por isso, um instrumento de apresentação formal, apelativo e sintético.

Uma carta de apresentação deve ser redigida sem erros ortográficos, gralhas e construções frásicas incorrectas. Tendo em atenção que o candidato está a dirigir-se a uma entidade de perfil desconhecido (que irá avaliar o seu percurso profissional e académico), por isso deve a carta ser redigida numa linguagem cuidada e formal.

Na carta de apresentação deve constar o nome, e caso esteja a trabalhar, a função e o local de trabalho. No caso de não estar a exercer qualquer actividade, ou estar a trabalhar numa função não direccionada ao lugar a que se candidata, explicite o porquê da sua candidatura.

Não escreva uma carta demasiado longa e detalhada: nem toda as pessoas têm tempo para ler a carta com a devida atenção. Seja conciso, objectivo e destaque as suas qualidades. Refira as áreas profissionais que mais lhe interessam, ou na quais se especializou. Também é importante deixar transparecer a sua opinião sobre o trabalho de equipa e a sua posição nas relações inter-pessoais.

Apresente as razões pelas quais acha que a escolha deverá recair na sua pessoa, ou quais as mais-valias associadas à sua contratação. Não obstante, faça-o sempre de forma moderada, ou corre o risco de ser considerado demasiado convencido e ter demasiadas certezas. Não exagere as suas qualidades ou resultados anteriores: seja, acima de tudo, verdadeiro e honesto consigo próprio e para com o seu eventual/futuro empregador.


No final da carta, despeça-se disponibilizando-se para uma entrevista, por forma a estabelecer um contacto mais próximo e real.

Faça um rascunho da carta, leia e releia, demore o tempo que achar necessário à sua redacção. Adapte o texto consoante o local a que se candidata, tendo em atenção o trabalho desenvolvido e os objectivos de cada entidade. É importante que sejam estabelecidos pontos de identificação entre o candidato e o empregador.

A carta de apresentação pode ser escrita à mão ou impressa em papel (à escolha do candidato). No entanto, quando se pretende que a carta seja manuscrita, as entidades referem sempre essa intenção nos anúncios, intenção essa que deve ser satisfeita.

À semelhança do curriculum, a carta tem que ser datada e assinada por mão própria, de preferência com uma letra legível.

Em suma:

- um curriculum deve ser sempre acompanhado por uma carta de apresentação;

- uma carta de apresentação deve ser redigida com muito zelo, concisa e objectiva;

- uma carta de apresentação deve expor as qualidades do candidato, as funções mais relevantes já exercidas e as razões pelas quais a escolha terá de recair no mesmo;
- uma carta de apresentação deve ser sempre datada e assinada.
Modelo Europeu de Curriculum Vitae
1. Informação pessoal:
- Nome:
- Morada:
- Telefone:
- Fax:
- Correio electrónico:
- Nacionalidade:
- Estado Civil:
- Carta de Condução:
- Disponibilidade:
2. Experiência(s) profissional(ais):
- Datas (de... até):
- Nome e endereço do empregador:
- Tipo de empresa ou sector:
- Função ou cargo ocupado:
- Principais actividades e responsabilidades:
3. Formação académica e profissional:
• Datas (de – até):
• Nome e tipo da organização de ensino ou formação:
• Principais disciplinas/competências profissionais:
• Designação da qualificação atribuída:
• Classificação obtida (se aplicável):
4. Aptidões e competências pessoais:
(Adquiridas ao longo da vida ou da carreira, mas não necessariamente abrangidas por certificados e diplomas formais)
5. Primeira língua:
(indique a língua materna)
6. Outras línguas:
• Compreensão escrita
• Expressão escrita
• Expressão oral
7. Outras aptidões e competências
8. Anexos
(Inclua nesta rubrica qualquer outra informação pertinente: por exemplo, pessoas de contacto, referências, etc. )

CARTAS DE AMOR

Cartas de amor

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que sãoRidículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, 21-10-1935 ( Heterónimo de Fernando Pessoa)

Actividade 1:

1. Neste poema, há uma aparente contradição. Por um lado "as cartas de amor.. têm de ser ridículas", por outro, as pessoas que nunca as escrevem "é que são ridículas". Explica, por palavras tuas, o pensamento do poeta.

2. O poeta tem saudades do tempo em que escrevia cartas de amor. Transcreve a estrofe que contém essa afirmação.

3. O que pensas das cartas de amor?