terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

O que é uma LÍNGUA?


"Uma Língua é um instrumento de comunicação segundo o qual, de modo variável de comunidade para comunidade, se analisa a experiência humana em unidades providas de conteúdo semântico e de expressão fónica”, ou seja, é um conjunto de sons, palavras e regras gramaticais utilizado por uma determinada comunidade."


Atente no seguinte texto:


A cena passa-se numa feira.

Um francês resolve comprar nozes para isso dirige-se à dona de uma tenda de fruta:

- Comment s’appell?

- Se se come com a pele?

- Comment?

- Com a mão? Não, sem casca.

- Je ne comprends pas.

- Se não quer comprar para que
me fez perder o meu tempo?


Variações da Língua

A língua é um sistema gramatical usado pelo conjunto de indivíduos que o conhece. A utilização que cada falante deste código varia em função de diversos condicionamentos:

- A idade;
- A zona geográfica e o nível sociocultural do emissor;
- O grau de familiaridade entre o emissor e o receptor;
- As circunstâncias e as finalidades do acto de comunicação.

Registos de Língua


Registo corrente – corresponde à norma, sendo acessível à maioria dos falantes. Trata-se de uma linguagem simples, mas correcta, constituída pelas palavras, expressões e frases mais comuns.
Na língua falada encontramos este registo na conversação quotidiana e na comunicação social audiovisual. Na língua escrita este registo é utilizado nas informações e comunicações escritas e na comunicação social impressa.

Ex.: A senhora não tem motivo para fazer essa afirmação!

Registo familiar – é frequente na linguagem falada, dependendo principalmente do grau de familiaridade entre o emissor e o receptor. Trata-se de uma linguagem com um vocabulário muito simples e pouco variado e com frases gramaticalmente simplificadas.
Na língua falada encontramos este registo na conversação quotidiana informal. Na língua escrita este registo surge nas cartas ou na comunicação online e em textos literários, quando se pretende reproduzir a língua falada.

Ex.: Estás a dar música a quem?

Registo popular – reflecte a falta de cultura linguística das classes pouco alfabetizadas e/ou os hábitos regionais, a educação e a profissão dos falantes. Muitas vezes, as frases são gramaticalmente incorrectas.
Na língua falada encontramos este registo na conversação quotidiana. Na língua escrita este registo surge nos textos literários que pretendem reproduzir a língua falada.


O registo popular tem várias modalidades:

Os regionalismos – são expressões próprias de determinadas zonas do país.
Ex.: Quero um cimbalino. (“cimbalino” é sinónimo de café no Porto; tem o correspondente em “bica”, expressão de Lisboa)


A gíria – é o conjunto de expressões específicas de determinados grupos com actividades afins.

Ex.: Hoje baldei-me ao primeiro segmento. (gíria estudantil)
Aquele frangueiro nem no banco tem lugar! (gíria futebolística)

O calão – designa expressões consideradas impróprias e grosseiras.
Ex.: Se não te piras parto-te as fuças todas!

Registo cuidado ou culto – utiliza um vocabulário escolhido, menos comum que o do registo corrente, tal como uma sintaxe mais elaborada.
Na língua falada este registo é utilizado em conferências, colóquios e ocasiões solenes. Na língua escrita encontramo-lo em cartas e documentos formais e oficiais, em textos críticos e de opinião
Ex.: Eu, abaixo-assinado, venho, por este meio solicitar a V. Ex.ª (…).

Registo literário – tem uma intencionalidade estética e, para tal, emprega um vocabulário rico e sugestivo, recursos expressivos e estilísticos, e a sintaxe pode ser bastante elaborada.
Na língua falada encontramos este registo em discursos e sermões. Na língua escrita está presente nas obras literárias.
Ex.: Ondas passadas, levai-me
Para o olvido do mar! (…) A casa por fabricar. (Fernando Pessoa)

PRESTA ATENÇÃO...


O ser humano comunica através de mensagens que são transmitidas pela Linguagem, que é a capacidade, que todo o ser humano tem, de comunicar através da palavra as suas ideias, emoções e desejos.


Ferdinand Martinet considera “a linguagem como uma instituição humana”.


HISTÓRIA DAS PALAVRAS



Houve um homem sozinho que se pôs a espreitar – havia pessoas maravilhadas e outras que estavam cansadas.
Depois ainda espreitou melhor: todas as pessoas estavam maravilhadas, depois não sabiam aguentar-se maravilhadas e ficavam cansadas.
As pessoas estavam tristes ou alegres, conforme a luz para cada um – mais luz, alegres – menos luz, tristes.
O homem sozinho ficou a pensar, nesta diferença. Para não esquecer, fez sinais numa pedra.
Este homem sozinho era da minha raça – era um Egípcio!
Os sinais que ele gravou na pedra para medir a luz por dentro das pessoas, chamaram-se hieróglifos.
Mais tarde veio outro homem que tornou estes sinais ainda mais fáceis. Fez vinte e dois sinais que bastavam para todas as combinações que há ao Sol.
Este homem sozinho era da minha raça – era um Fenício.
Cada um dos vinte e dois sinais era uma letra. Cada combinação de letras uma palavra
.”


Almada Negreiros, Poesia

Definição de COMUNICAÇÃO


A palavra comunicar provém do latim comunicare que significa «pôr em comum», «entrar em relação com».


Os elementos da comunicação



Para que se estabeleça a comunicação é necessária a existência dos seguintes elementos:


Emissor: quem codifica e envia a mensagem.


Receptor: quem recebe e descodifica a mensagem.


Mensagem: a informação transmitida pelo emissor ao receptor.


Canal: meio físico pelo qual a mensagem é transmitida.


Código: conjunto dos sinais ou signos arbitrários e convencionais que, depois de codificados, permitem ao emissor transmitir a mensagem ao receptor, que irá descodificá-la.


Contexto: situação que envolve a comunicação.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

«A Língua Portuguesa é a minha Pátria», como disse Fernando Pessoa

Se em vez de medo disseres força
Se em vez de velho disseres novo
Ficas a saber que a língua portuguesa
É povo.
Se em vez de fome disseres pão
E chegada em vez de partida
Ficas a saber que a língua portuguesa
É vida.
Se em vez de abutre for gaivota
Se em vez de escuridão for luar
Ficas a saber que a língua portuguesa
É mar.
Se em vez de grade disseres campo
E em vez de lição disseres livro
Ficas a saber que a língua portuguesa
É livre.
E se em vez de escrevo for um cravo
Se em vez de prisão for amor
Ficas a saber que a língua portuguesa
É uma flor.


Sebastião da Gama

Nota Biográfica:

Sebastião Artur Cardoso da Gama (Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, 10 de Abril de 1924 - Lisboa, 1952) foi um poeta e professor português, licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1947. Foi professor em Lisboa.
Colaborou nas revistas Árvore e
Távola Redonda.
A sua obra encontra-se ligada à
Serra da Arrábida, onde vivia e que tomou por motivo poético de primeiro plano (desde logo no seu livro de estreia, Serra-Mãe, de 1945), e à sua tragédia pessoal motivada pela tuberculose.
Fundador da
Liga para a Protecção da Natureza em 1948.
O seu Diário, editado postumamente em
1958, é um interessantíssimo testemunho da sua experiência como docente e uma valiosa reflexão sobre o ensino.

A MINHA MENSAGEM AOS FORMANDOS...


SEJAM EMPREENDEDORES!!!!
Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes
Um lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra veza essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.

Eugénio de Andrade, Ver claro

Um empreendedor deve ter sempre visão de futuro. Algumas pessoas imaginam que um futuro brilhante está ligado apenas ao nome da universidade onde tirou um curso ou à situação financeira da família, contudo isso nem sempre é verdade, pois as pessoas não chegam a lugar nenhum se não tiverem projectos para a sua vida.

Todo ser humano deve sonhar e acreditar nos seus sonhos e investir neles, e não se auto-marginalizar porque não nasceu num "berço de ouro". Devemos acreditar na nossa capacidade de absorver informações e transformá-las em projectos para o nosso crescimento profissional e pessoal. Todos nós conhecemos pessoas que nasceram sem perspectivas de crescimento e actualmente sabemos que algumas delas marcaram a nossa história.

Um curso superior é muito importante para entrar no mercado de trabalho mas não é tudo, devemos também sentir motivação, ter objectivos, visão de futuro, vontade de vencer, e temos que estar preparados para no momento certo agarrar as oportunidades de chegar aos sonhos, porque enquanto há objectivos há vida e enquanto há vida há esperança.
Acreditem sempre, invistam no vosso futuro e nunca tenham medo de arriscar, tudo na vida é um risco, inclusive viver.

UM CASO DE GÉNERO


Desde aquele engraçado sketch dos «Gato Fedorento» que muita gente passou a saber que a palavra «grama» é um nome biforme quanto ao género (masculino e feminino):


- no feminino: a grama significa 'relva';

- no masculino: o grama significa 'peso'.


No entanto, ainda há outros nomes que deixam muitos de nós com dúvidas quanto ao respectivo género. Alguns deles, em virtude da insistência dos falantes em aplicar-lhes o género errado, até fizeram mudar os dicionários: é o caso de avestruz e bebé. O primeiro, que era masculino, passou a feminino, e o segundo era masculino e passou a ter dois géneros!

Felizmente, as dúvidas são puramente linguísticas...