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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

FICHA DE TRABALHO SOBRE «A DECLARAÇÃO»


Os direitos do leitor


«Quanto ao livro nada mais. Passemos ao leitor. Porque, mais instrutivos ainda do que os modos de tratar os livros, são os modos de os ler. Em matéria de leitura, nós, os "leitores", temos todos os direitos, a começar pelos que recusamos aos jovens que pretendemos iniciar na leitura. Para o escritor Daniel Pennac, os dez direitos do leitor são:



1) O direito de não ler.

2) O direito de pular páginas.

3) O direito de não terminar um livro.

4) O direito de reler.

5) O direito de ler qualquer coisa.

6) O direito de amar os "heróis" dos romances.

7) O direito de ler em qualquer lugar.

8) O direito de ler uma frase aqui e outra ali.

9) O direito de ler em voz alta.

10) O direito de não falar do que se leu.»


(Daniel Pennac, 1944, Como um Romance)

1. ACTIVIDADE

a) Alguns destes direitos são surpreendentes e até polémicos. Porquê?

b) Escolhe um dos direitos do leitor e explica por que o escolheste.

c) Constrói outras declarações com 10 direitos. Por exemplo: os direitos do pintor, do utilizador da internet, etc.


2. ACTIVIDADE
Pré-Leitura


1 – O texto a seguir apresentado é um excerto de uma crónica de Mia Couto para um jornal português, em que o autor dá conta de um equívoco de que foi alvo, pois confundiram-no com uma estrela de cinema: Chuck Norris. Lê-o com atenção.






terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A DECLARAÇÃO

A DECLARAÇÃO





3 - CARACTERÍSTICAS

* FINALIDADE: Expressar ou manifestar, de um modo claro e categórico, uma disposição: vontade, decisão ou depoimento.

* INTENCIONALIDADE COMUNICATIVA: Compromisso do emissor na realização do que declarou.

* DISCURSO:

Registo formal:

* modelos predefinidos:

- declarações de compromisso;
- negocial;
- de impostos;
- …

* concepção de acordo com as situações específicas e os intervenientes:

- declarações de inconstitucionalidade;
- de voto;
- conjuntas;
- de acórdão;
- sentença;
- despacho;
- parecer ou decisão;
- …

* expressa ( escrita ou através de outro qualquer meio directo de manifestação da vontade);

* tácita ( deduzida de factos que, com toda a probabilidade, a revelam).


* Características da linguagem

● Muitas declarações possuem minutas e/ou impressos próprios;
● Utilização de vocabulário simples e adequado às situações.

4 - ESTRUTURA:

- ABERTURA

- identificação do declarante;
- muitas declarações têm formas específicas de abertura:
“Declaro, por minha honra,…”;
“Juro, por minha honra,…”;
“Para os devidos efeitos se declara que…”.

- ENCADEAMENTO

- assunto/ disposições e objectivos/ finalidade a que se destina;
- pode ter fórmulas específicas:


“Declara assumir o compromisso de…”, “Declara, para os efeitos consignados no nºX, do artigo Y da lei…” .

- FECHO

- data e assinatura do declarante;
- pode ter formas específicas de terminar.

FICHA FORMATIVA SOBRE O REQUERIMENTO

Lê o texto com atenção e responde às questões que se seguem.

Fracos níveis de Literacia entre os rapazes preocupam países desenvolvidos

Elas interessam-se mais pela leitura, ficam satisfeitas se recebem um livro como prenda, não se importam de passar uns momentos numa livraria. Gostam assumidamente de ler, de preferência todos os dias, sobretudo ficção, ainda que leiam também jornais ou revistas. Consideram-se, de resto, leitoras competentes. Mas se as letras as atraem, o mesmo não se pode dizer dos números. As raparigas de 15 anos dos países desenvolvidos acham que não têm muito jeito para a matemática. Com uma excepção: Portugal é o único da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) onde também nesta área elas parecem mais interessadas do que eles.
De facto, quase universalmente, os rapazes gostam mais de matemática do que as raparigas. Já a leitura não é com eles. Os rapazes dizem que se interessam pouco por livros: 40% (média da OCDE) dos jovens do sexo masculino com 15 anos revelam que simplesmente não pegam num livro por prazer pessoal. Um terço dos rapazes portugueses partilha da mesma ideia. Estes são mais alguns resultados de um estudo da OCDE divulgado esta semana, cujo objectivo principal era avaliar as competências dos alunos de 15 anos, de 32 países, quando confrontados com exercícios ligados a situações da vida real.
Apesar de dizer que estes dados devem ser aprofundados em estudos futuros, a OCDE não tem dúvidas em afirmar para já que os hábitos, os interesses e também o sentimento de autoconfiança manifestados pelos jovens estão ligados ao seu desempenho e às competências que desenvolvem. E que, de facto, parece ser claro que há “assuntos” ― como a leitura ― que interessam mais ao sexo feminino e outros mais ao masculino, como a matemática. À escola cabe, segundo os peritos, minimizar estes factores. Eventualmente apostando em promover hábitos de leitura também entre os rapazes e motivando as miúdas para os números.
Um olhar sobre as médias da OCDE nos três tipos de literacia testados ― leitura, matemática e ciências ― revela o seguinte: elas têm resultados significativamente melhores do que eles na leitura, em todos os países; na literacia matemática, os rapazes superam as raparigas em metade dos países (incluindo Portugal); nas ciências, as diferenças entre sexos não são estatisticamente significativas na maioria dos casos (nomeadamente em Portugal).
Não são as diferenças médias na matemática que mais preocupam a OCDE (até porque elas escondem que não há muitos rapazes que se distinguem imenso das raparigas ― o que há é, em muitos países, uma pequena percentagem de rapazes verdadeiramente brilhantes que fazem com que a média masculina suba). É o desempenho (generalizado) do sexo masculino na leitura ― aí sim, significativamente díspar ― que mais apreensão causa.
(…)
“No passado, as preocupações relacionadas com as diferenças entre sexos estavam centradas no défice de desempenho das mulheres. Entretanto, elas não só progrediram como ultrapassaram os homens em muitos aspectos, ao ponto de hoje, sobretudo nalguns países, as preocupações estarem todas viradas para as dificuldades dos rapazes”, lê-se no relatório.
(…)
Em suma, os países “não estão a ser bem sucedidos na eliminação das diferenças entre sexos”. Por isso, continua a OCDE, os fracos resultados que, globalmente, os rapazes obtêm são, cada vez mais, “um desafio para os decisores políticos”. Há alguns exemplos a seguir, como o da Coreia do Sul onde de uma maneira geral parece haver “uma ambiente de aprendizagem que beneficia ambos os sexos”. Resta agora saber porquê.

Andreia Sanches, in Público, 9 de Dezembro de 2001 (texto adaptado)

I GRUPO

1. Explica, por palavras tuas, os resultados do estudo efectuado pela OCDE.

2. Refere o objectivo principal desse estudo.

3. Tendo tudo o anterior em conta, indica o papel que a escola poderá ter.

4. Indica as médias obtidas nos vários tipos de literacia.

5. Explica por que razão as diferenças médias na matemática, a favor dos rapazes, são ilusórias.

6. Comenta a seguinte afirmação: «Os resultados deste estudo sugerem uma grande mudança.»

7. A Coreia do Sul é citada como um bom exemplo. Porquê?

II GRUPO

1. Retira do texto dois advérbios de modo e explica a sua formação.

2.
2.1. Identifica dois conectores no texto e refere a sua função na coesão textual.

2.2. Completa a frase usando um conector adequado:

Os resultados do estudo da OCDE devem ser tidos em conta …
3.
3.1. Identifica os tipos das frases seguintes:

a) Não gosto nada de ler!

b) As raparigas lêem mais do que os rapazes.

c) Gostaste desse livro?

d) Deves ler mais.

3.2. A partir das respostas dadas, formula as perguntas mais adequadas e indica se são interrogativas totais ou parciais.

a) Não, ainda não li esse livro.

b) Eu prefiro livros de aventuras.

4. Identifica a pessoa, o número, o tempo e o modo das formas verbais presentes na seguinte frase:

Os resultados do estudo da OCDE revelam que existiu uma alteração que os estudiosos do tema não suspeitavam.
III GRUPO

Imagina que, enquanto delegado de turma, desejas organizar uma visita de estudo às instalações do Jornal Público, no âmbito do estudo do texto jornalístico, que está a ser desenvolvido na disciplina de Português.

1. De acordo com as regras que aprendeste, redige um Requerimento ao Presidente do Conselho Executivo, solicitando a autorização para essa visita.

FICHA DE TRABALHO SOBRE «O REQUERIMENTO»

Actividade:

Pré-Leitura

1 – Tendo em conta a designação “requerimento”, indica algumas situações em que, na tua opinião, se utilize esta tipologia textual.

2 – Apresenta o significado das seguintes palavras:


2.1 – requerente;
2.2 – requerimento;
2.3 – requerido;
2.4 – deferimento.

3 – Observa e descreve a mancha gráfica do texto a seguir apresentado.


Leitura




1 – Lê o texto atentamente.


2 – Identifica:

2.1 - O emissor ou requerente;
2.2 – A entidade ou instituição a que se requer;
2.3 – O que se requer;
2.4 – Os elementos de identificação exigidos;
2.5 – A fórmula final.

3 – Descreve o contexto subjacente à produção do texto lido.

4 – Caracteriza o discurso do texto, tendo em conta a pessoa gramatical predominante.


Pós-Leitura

1 – Revê com atenção as respostas que deste às questões e corrige eventuais deficiências.

2 – Participa atentamente nas actividades de sistematização que vão ser feitas posteriormente.

O REQUERIMENTO: DEFINIÇÃO E TIPOS


REQUERIMENTO





DEFINIÇÃO DE REQUERIMENTO – petição por escrito, segundo as normas legais, na qual se solicita alguma coisa a uma entidade oficial, da justiça ou da administração.


1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

Dá-se o nome de requerimento a uma petição geralmente escrita, segundo as normas legais, dirigida a uma entidade oficial, da justiça ou da administração.

Intencionalidade comunicativa - Solicitar algo a que se tem direito ou se julga ter:

- obter informações sobre determinado assunto;
- solicitar providências;
- convocar uma ou mais sessões;
- obter determinado documento;
- …


Obedece a uma estrutura formal e linguística, normalizada por formulários dos serviços competentes. Deve:

- ser preenchido com clareza e perfeição;
- ser apresentado numa folha branca, ou formulário fornecido para o efeito;
- separar os diferentes pontos do texto por um espaço em branco.


Frequentemente obedece a um texto designado por “minuta” (o modelo) e, depois de preenchido, o original fica nos serviços competentes e a cópia é entregue ao requerente, após autenticação com o selo do estabelecimento.



CARTA DE APRESENTAÇÃO E CURRICULUM VITAE


Como redigir uma carta de apresentação

Um curriculum vitae deve ser sempre acompanhado por uma carta de apresentação, quer o candidato responda a um emprego público, quer se candidate espontaneamente a um escritório, sociedade de Advogados, empresas públicas ou privadas.

O curriculum apresenta as habilitações e as experiências profissionais, mas não é o suficiente para delinear o perfil do candidato: a carta de apresentação torna-se, por isso, um instrumento de apresentação formal, apelativo e sintético.

Uma carta de apresentação deve ser redigida sem erros ortográficos, gralhas e construções frásicas incorrectas. Tendo em atenção que o candidato está a dirigir-se a uma entidade de perfil desconhecido (que irá avaliar o seu percurso profissional e académico), por isso deve a carta ser redigida numa linguagem cuidada e formal.

Na carta de apresentação deve constar o nome, e caso esteja a trabalhar, a função e o local de trabalho. No caso de não estar a exercer qualquer actividade, ou estar a trabalhar numa função não direccionada ao lugar a que se candidata, explicite o porquê da sua candidatura.

Não escreva uma carta demasiado longa e detalhada: nem toda as pessoas têm tempo para ler a carta com a devida atenção. Seja conciso, objectivo e destaque as suas qualidades. Refira as áreas profissionais que mais lhe interessam, ou na quais se especializou. Também é importante deixar transparecer a sua opinião sobre o trabalho de equipa e a sua posição nas relações inter-pessoais.

Apresente as razões pelas quais acha que a escolha deverá recair na sua pessoa, ou quais as mais-valias associadas à sua contratação. Não obstante, faça-o sempre de forma moderada, ou corre o risco de ser considerado demasiado convencido e ter demasiadas certezas. Não exagere as suas qualidades ou resultados anteriores: seja, acima de tudo, verdadeiro e honesto consigo próprio e para com o seu eventual/futuro empregador.


No final da carta, despeça-se disponibilizando-se para uma entrevista, por forma a estabelecer um contacto mais próximo e real.

Faça um rascunho da carta, leia e releia, demore o tempo que achar necessário à sua redacção. Adapte o texto consoante o local a que se candidata, tendo em atenção o trabalho desenvolvido e os objectivos de cada entidade. É importante que sejam estabelecidos pontos de identificação entre o candidato e o empregador.

A carta de apresentação pode ser escrita à mão ou impressa em papel (à escolha do candidato). No entanto, quando se pretende que a carta seja manuscrita, as entidades referem sempre essa intenção nos anúncios, intenção essa que deve ser satisfeita.

À semelhança do curriculum, a carta tem que ser datada e assinada por mão própria, de preferência com uma letra legível.

Em suma:

- um curriculum deve ser sempre acompanhado por uma carta de apresentação;

- uma carta de apresentação deve ser redigida com muito zelo, concisa e objectiva;

- uma carta de apresentação deve expor as qualidades do candidato, as funções mais relevantes já exercidas e as razões pelas quais a escolha terá de recair no mesmo;
- uma carta de apresentação deve ser sempre datada e assinada.
Modelo Europeu de Curriculum Vitae
1. Informação pessoal:
- Nome:
- Morada:
- Telefone:
- Fax:
- Correio electrónico:
- Nacionalidade:
- Estado Civil:
- Carta de Condução:
- Disponibilidade:
2. Experiência(s) profissional(ais):
- Datas (de... até):
- Nome e endereço do empregador:
- Tipo de empresa ou sector:
- Função ou cargo ocupado:
- Principais actividades e responsabilidades:
3. Formação académica e profissional:
• Datas (de – até):
• Nome e tipo da organização de ensino ou formação:
• Principais disciplinas/competências profissionais:
• Designação da qualificação atribuída:
• Classificação obtida (se aplicável):
4. Aptidões e competências pessoais:
(Adquiridas ao longo da vida ou da carreira, mas não necessariamente abrangidas por certificados e diplomas formais)
5. Primeira língua:
(indique a língua materna)
6. Outras línguas:
• Compreensão escrita
• Expressão escrita
• Expressão oral
7. Outras aptidões e competências
8. Anexos
(Inclua nesta rubrica qualquer outra informação pertinente: por exemplo, pessoas de contacto, referências, etc. )

CARTAS DE AMOR

Cartas de amor

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que sãoRidículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, 21-10-1935 ( Heterónimo de Fernando Pessoa)

Actividade 1:

1. Neste poema, há uma aparente contradição. Por um lado "as cartas de amor.. têm de ser ridículas", por outro, as pessoas que nunca as escrevem "é que são ridículas". Explica, por palavras tuas, o pensamento do poeta.

2. O poeta tem saudades do tempo em que escrevia cartas de amor. Transcreve a estrofe que contém essa afirmação.

3. O que pensas das cartas de amor?

EXEMPLO DE UMA RECLAMAÇÃO


COMO FAZER UMA RECLAMAÇÃO


CARTA DE RECLAMAÇÃO


Exercício:

Imagina que o livro chegou com algumas folhas em branco. Elabora uma carta a pedir a sua substituição.

CARTA DE RESPOSTA A UM ANÚNCIO

A carta é, seguramente, um dos instrumentos mais úteis em situações diversas. Para além da carta de amor ou da carta a um(a) amigo(a), outras há que importa conhecer.

Carta - resposta a um anúncio

Maria Helena Costa Faria
Rua do Moinho, 37
9580 VILA DO PORTO
Tel: 628587

Vila do Porto, 15 de Agosto de 2007
Ex.mo Senhor,

Em resposta ao anúncio de V. Exa., publicado no Diário Insular de 15 do corrente mês, sob o número 777/07, venho por este meio candidatar-me ao emprego publicitado, pois julgo ter o perfil pretendido.
Com esse objectivo, remeto a V. Exa. o meu curriculum vitae colocando-me, desde já, à vossa disposição para um posterior contacto, onde poderei fornecer outras informações sobre a minha formação e experiência profissional.
Agradecendo antecipadamente toda a atenção que me queiram dispensar, subscrevo-me, com a mais elevada consideração.
Atentamente,

Maria Helena Costa Faria
Anexo: Curriculum Vitae
Actividade:

1. Elabora uma carta de apresentação/ candidatura, dando resposta ao seguinte anúncio de oferta de emprego:
PRECISA-SE

ACTOR/ACTRIZ

A Companhia de Teatro Vicentina admite actor/actriz, entre os 15 e os 20 anos, para integrar a peça de teatro “Um Novo Mundo”.

Resposta para:

Director Geral da Companhia de Teatro Vicentina,
Av. D.Pedro II, n.º2, 1º Dt.º, 8000-122 Faro
Diário do Sul, 10-11-05.
Enviar Curriculum Viate (modelo europeu)

FICHA DE TRABALHO SOBRE A CARTA

TEXTO

Minha querida Emília

Estamos aqui com um tremendo calor. Trinta graus à sombra na sala. Tenho saudades do mar, e dos pinhais de Paris-Plage. Arranjei o jardim para o usar como campo: mas faz lá mais calor do que dentro de casa, e os mosquitos abundam. A minha vida segue solitária e laboriosa – mas, graças a Deus, com saúde, a saúde costumada, uma mediania. Somente, com a enervação deste calor, tenho uma tal preguiça de estômago, que só posso jantar das 9 para as 10 da noite – às vezes em casa, Quelque chose de froid, outras vezes num restaurante do bairro. Não posso por isso acompanhar o Rosa, que janta sempre fora, mas a horas cristãs. Ele almoçou cá com o Falcão antes de ontem, para se fazerem grandes fotografias da Maria Teresa. Infelizmente o Falcão apareceu sem a máquina, que na véspera se desmanchara, depois de violentos trabalhos sobre o mar e sobre a terra (Dieppe, etc.). Rosa parte para Trouville para a semana elegante.
Noto o que dizes no teu bilhete de hoje sobre o Hotel. Porque não mudas? Agora que a estação já avança, talvez achasses um melhor Hotel, pelo mesmo preço, ou talvez ainda por melhor cómodo. Sobretudo tu que projectas estar um mês.
A casa avança com lentidão na sua limpeza. Antevejo com susto despesas inevitáveis. Assim, a Mme. Mars pretende que a nossa batterie de cuisine está fora de uso! Também me parece impossível deixar o office naquela imundície. E o quarto dos brinquedos precisaria bem papel e prateleiras. Mas tudo isso demanda reflexão.
Já devo carta à Marie e ao Zézé – mas enquanto me não desembaraçar da Revista, que é quase todo feito por mim e que me apanhou em veia, não tenho tempo para prazeres.
Têm feito fotografias? Mando uma carta da Benedita. Mil e mil beijos aos queridos meninos e para ti também larga dose do teu
José
Eça de Queirós, Correspondência (texto com cortes)
VOCABULÁRIO:

quelque chose de froid - alguma coisa fria
batterie de cuisine - trem de cozinha
office - escritório

I

O texto é uma carta informal, e como tal, destina-se a manter a comunicação, à distância com familiares e amigos.

1. Identifica o remetente e o destinatário.

2. Que relação familiar haverá entre estas duas pessoas. Justifica a tua resposta.

3. Refere dois temas, que fazem parte do assunto da carta.

4. Transcreve duas frases do texto que mostram a preocupação do remetente com a destinatária.

5. Qual a profissão do remetente. Explica-a com expressões do texto.

6. Refere duas marcas autobiográficas presentes na carta.

7. Explica o sentido das seguintes expressões:

· “a minha vida solitária e laboriosa”;

· “a saúde costumada”;

· “despesas inevitáveis”.

8. Refere três diferenças entre uma carta informal e uma formal.
II
1. Classifica morfologicamente as palavras a negrito na seguinte frase: “a casa avança com lentidão na limpeza”.

2. Escreve de novo a frase “Antevejo com susto despesas inevitáveis”, com o verbo no:

- Pretérito Imperfeito do Indicativo;

- Futuro Imperfeito do Indicativo.

3. Explica o processo de formação das palavras: “inevitáveis” e “lentidão”.

4. Identifica dois conectores na frase: “Não posso por isso acompanhar Rosa, que janta sempre fora, mas a horas cristãs”.
III

Nos nossos dias o telemóvel veio de certo modo, substituir outros meios de comunicação interpessoais, quer orais, quer escritos. Contudo, em determinadas situações, impõe-se o registo escrito.
Imagina que foste incumbido da tarefa de escrever uma carta a um familiar que, tendo emigrado para a Austrália, pretende adquirir uma vivenda, na cidade que abandonou há duas décadas. Nessa carta, procura descrever a casa, a localização, o preço e acrescentar que toda a família pensa que é um bom negócio e está muito satisfeita com regresso.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A Carta Privada e a Carta Oficial / Comercial


A CARTA

A Carta

A carta é um texto escrito dirigido a uma pessoa ausente e tem uma estrutura própria. Observe:


Lista de Verificação da Estrutura da carta:

1. Registei o local e a data no canto superior direito;
2. Escrevi, na data, o mês por extenso;
3. Separei o local da data por vírgula;
4. Deixei uma margem à esquerda e outra à direita;
5. Comecei a carta com uma saudação ao destinatário;
6. Alinhei a saudação com o início dos parágrafos;
7. Fiz parágrafo a seguir à saudação ao destinatário;
8. O corpo da carta tem uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão;
9. O corpo da carta tem três ou mais parágrafos;
10. A carta inclui uma curta despedida;
11. Assinei a carta, no canto inferior direito.