
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
O CONVITE

O RESUMO
1.
- Ler atentamente o texto;
- Apreender a globalidade da mensagem transmitida;
- Dividir o texto em partes;
- Eliminar as ideias secundárias e acessórias.
2.
- Construir um texto, evidenciando as ideias principais;
- Não utilizar frases ou partes do próprio texto;
- Utilizar uma linguagem clara e precisa;
- Respeitar as regras de pontuação, sintaxe e ortografia.
NOTA: O resumo não deve ultrapassar um terço do texto original.
Os resumos são, igualmente, ferramentas úteis ao estudo e à memorização de textos escritos. Além disso, textos falados também são passíveis de resumir. Anotações de ideias significativas ouvidas no decorrer de uma palestra, por exemplo, podem vir a constituir uma versão resumida de um texto oral.
1. Lê o texto A e repara no resumo que foi feito a partir dele.

Houve quem confundisse a grandeza do prémio com o comprometimento político do escritor. Mas disso Saramago prefere não falar. A inveja é o sentimento mais mesquinho que existe" diz. " Não devemos perder tempo a falar de sentimentos maus, falemos antes dos bons sentimentos" frisa o autor.
É para falar de coisas boas que o escritor vai estar em Lisboa e depois no Porto, onde tal como já estava combinado antes, vai participar num encontro de escritores ibero-americanos. "Porque os escritores não fazem cimeiras, encontram-se para falar".
in Diário de Notícias, 98.10.13
2. Resumo do texto A
Em Portugal, não houve só boas reacções ao Prémio Nobel. Ligaram-no ao comprometimento político de Saramago. Mas o escritor recusa-se falar dessas reacções que atribui à inveja.
É para falar de coisas boas que virá a Lisboa e ao Porto, onde participará num encontro de escritores ibero-americanos.
3. Resume este texto apresentado.
O Prazer das histórias
Apresenta-se como alguém que nunca saiu da escola. Com uma surpreendente capacidade de auto-ironia, Albano Estrela diz que o mundo exterior à sala de aulas sempre o assustou, mas o que se compreende ao longo da conversa é que foi o amor, e não o medo, que o convenceu a ficar. Filho de um antigo presidente do Sport Comércio e Salgueiros (popular associação desportiva do Porto), tornou-se professor por vocação e foi um dos pioneiros das Ciências da Educação em Portugal. Aposentado aos 70 anos por imposição burocrática, «continua» na sua bem-amada escola através da escrita, como o demonstram as crónicas que regularmente publica no site da Porto Editora, o «Educare», e o seu livro mais recente.
(in Visaoonline)
CONVOCATÓRIA
_ o dia, a hora e o local da reunião;
_ a respectiva Ordem de trabalhos;
_ o assunto ou assuntos a serem tratados na reunião;
_ o tipo de sessão ou reunião - ordinária ou extraordinária;
_ a data em que ele é feita;
_ a pessoa que a emite e o seu cargo;
_ a assinatura desta mesma pessoa.
Actividade
Redige a acta da reunião convocada pela seguinte:

A ACTA

A acta é elaborada pelo secretário da reunião que tem a difícil e penosa tarefa de, ao longo dela, recolher os apontamentos indispensáveis à sua posterior elaboração. Deve ser escrita no livro de actas, cujas folhas devem estar rubricadas e numeradas, pelo Presidente da Mesa da Assembleia, o mesmo acontecendo com os termos de abertura e de encerramento.
A redacção da acta deve ser simples, concisa e clara; não deve haver abreviaturas e os números tal como as datas escrevem-se por extenso; intervalos em branco, entrelinhas e rasuras são eliminados.
A acta é o meio de formação da "vontade colectiva"; o elemento de prova e de interpretação dessa vontade; o registo da vida da instituição.
Conteúdo de uma acta:
A acta deve conter os seguintes elementos:
1. Recebe o número que lhe calhar;
2. Começa com a indicação do dia, mês, ano e hora em que teve lugar a sessão;
3. Indica o local da reunião;
4. Menciona o tipo de reunião: se ordinária, se extraordinária, se realizada em primeira convocatória, se em segunda convocatória;
5. Indica o nome dos presentes;
6. Inclui a Ordem de Trabalhos, na íntegra e tal como foi enviada na convocatória;
7. Refere a hora a que se iniciou e o número de sócios presentes;
8. Menciono a leitura, a votação e a aprovação da acta da sessão anterior, caso exista para aprovação;
9. Regista as comunicações feitas pelo Presidente da Mesa;
10. Retém os nome dos intervenientes e o resumo das suas considerações;
11. Inclui ainda o resultado de qualquer votação que tenha tido lugar;
12. Regista a fórmula de encerramento;
13. Deve ser assinada pelo presidente e pelo secretário.
BIOGRAFIA
A biografia é um texto que relata a vida de uma pessoa, respeitando a ordem cronológica.
Conforme o seu objectivo, a biografia pode ser uma resumida (nota biográfica ou livro). A elaboração de uma biografia necessita de uma recolha prévia de informação: entrevista à pessoa em causa; depoimento de familiares, amigos, pessoas conhecidas; consulta de documentos.
Para produzir uma biografia:
- Redija na 3.ª pessoa;
- Integre, de forma organizada, datas, lugares, pessoas e factos marcantes da vida da pessoa biografada;
- Opte por um relato informativo ou por uma narrativa que destaca e valoriza determinados acontecimentos do percurso da pessoa biografada.

«Nasci no Porto mas vivo há muito em Lisboa.
Durante a minha infância e juventude passava os verões na praia da Granja, de que falo em tantos dos meus poemas e contos.
Estudei no Colégio Sagrado Coração de Maria, no Porto, e quando tinha 17 anos inscrevi-me na Faculdade de Letras de Lisboa, em Filologia Clássica, curso que, aliás, não terminei. Antes de 25 de Abril de 1974 fiz parte de diversas organizações de resistência, tendo sido um dos fundadores da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos.
Depois de 25 de Abril de 1974 fui deputada à Assembleia Constituinte (1975-1976) e detesto escrever currículos...
[...]
Comecei a inventar histórias para crianças quando os meus filhos tiveram sarampo. Era no inverno e o médico tinha dito que eles deviam ficar na cama, bem cobertos, bem agasalhados. Para isso era preciso entretê-los o dia inteiro. Primeiro, contei todas as histórias que sabia. Depois, mandei comprar alguns livros que tentei ler em voz alta. Mas não suportei a pieguice da linguagem nem a sentimentalidade da "mensagem"; uma criança é uma criança, não é um pateta. Atirei os livros fora e resolvi inventar. Procurei a memória daquilo que tinha fascinado a minha própria infância. Lembrei-me de que quando eu tinha 5 ou 6 anos e vivia numa casa branca na duna - a minha mãe me tinha contado que nos rochedos daquela praia morava uma menina muito pequenina. Como nesse tempo, para mim, a felicidade máxima era tomar banho entre os rochedos, essa menina marinha tornou-se o centro das minhas imaginações. E a partir desse antigo mundo real e imaginário, comecei a contar a história a que mais tarde chamei Menina do Mar.
Os meus filhos ajudavam. Perguntavam:
- De que cor era o vestido da menina?
O que é que fazia o peixe?
Aliás, nas minhas histórias para crianças quase tudo é escrito a partir dos lugares da minha infância.»
FICHA DE TRABALHO SOBRE «O RETRATO»
bem servido de pés, meão na altura,
triste de facha, o mesmo de figura,
nariz alto no meio e não pequeno.
Incapaz de assistir num só terreno,
mais propenso ao furor do que à ternura,
bebendo em níveas mãos por taça escura
de zelos infernais letal veneno.
Devoto incensador de mil deidades
(digo, de moças mil) num só momento
e somente no altar amando os frades,
eis Bocage, em quem luz algum talento.
Saíram dele mesmo estas verdades
num dia em que se achou mais pachorrento.
1. Delimita, no soneto de Bocage, a apresentação das suas características:
- psicológicas;
- ideológico-afectivas.
- o temperamento arrebatador;
- a inconstância no amor;
- o seu suposto anticlericalismo.
4. De que forma o último terceto atesta a autenticidade do auto-retrato apresentado?
O RETRATO
Para produzir um retrato:
- Indique traços psicológicos e de carácter revelados pela pessoa ou personagem, através das suas atitudes e do seu comportamento;
Exemplificação
Os retratos a óleo fascinam-me. E ao mesmo tempo assustam-me. Sempre tive medo que as pessoas saíssem das molduras e começassem a passear pela casa. Para falar verdade, estou convencido que isso aconteceu algumas vezes. Em certas noites, quando eu era pequeno, ouvia passos abafados e tinha a sensação de que a casa ficava subitamente cheia de presenças. Ainda hoje não gosto de atravessar os longos corredores das velhas casas com grandes retratos pendurados nas paredes. Há olhos que nos seguem do alto e nunca se sabe o que de repente pode acontecer.
Não sei se da blusa muito branca, se dos olhos, às vezes verdes, às vezes cinzentos. Não sei se do sorriso, às vezes alegre, às vezes triste. Eu parava muitas vezes em frente do retrato. Era talvez o único que não me assustava. Creio até que dele se desprendia uma luz benfazeja, que de certo modo me protegia.
Mas havia um mistério. Ninguém me dizia quem era a senhora do retrato. Arminda, a criada velha, benzia-se quando passava diante do quadro. Às vezes fazia figas e estranhos sinais de esconjuração. A prima Luísa passava sem olhar.
- Essa pergunta não se faz - disse-me um dia em que lhe perguntei quem era aquela senhora.
Percebi que não gostava dela e que era um assunto proibido. Até a minha mãe me ralhou e me pediu para nunca mais fazer tal pergunta. Mas eu não resistia. Por vezes descaía-me e dava comigo a perguntar quem era a senhora dos olhos verdes, quase cinzentos, que me sorria de dentro do retrato.
Com a minha tia-avó, eu tinha uma relação especial. Ela lia-me histórias e poemas inquietantes. Creio que troçava das convenções, talvez das próprias pessoas. Por vezes era difícil saber quando estava a sério ou a brincar. Apesar de já ser muito velha, tinha um sentido agudo do ridículo. Foi a primeira pessoa verdadeiramente subversiva que conheci. Era óbvio que tinha um fraco por mim. Pelo menos era o único membro da família a quem ela tratava como um igual. Dormia no andar de baixo e nunca subia as escadas. Talvez por isso eu nunca lhe tinha perguntado quem era a senhora do retrato.
Um dia, farto já de tanto mistério e ralhete e, sobretudo, das gaifonas da Arminda e do ar empertigado da prima Luísa, não me contive e perguntei-lhe. A minha tia sorriu. Depois levantou-se, pegou no molho de chaves que trazia preso à cintura, abriu uma gaveta da escrevaninha e tirou um álbum muito antigo. Voltou a sentar-se e lentamente começou a mostrar-me as fotografias. Eram quase todas da senhora do retrato e do meu primo Bernardo, que há muito tinha partido para a África do Sul.
Apareciam juntos a cavalo e de bicicleta. E também de fato de banho, na praia da Costa Nova. Havia alguns em que o meu primo estava de smoking e ela de vestido de noite. Via-se também a tia Hermengarda, mais nova, por vezes os meus pais, gente que eu não conhecia. Até que chegámos à senhora do retrato já de branco vestida.
- Natacha - murmurou a minha tia, com uma névoa nos olhos.
E depois de um silêncio:
- Ela chama-se Natália, mas eu gosto mais de Natacha, sempre a tratei assim. É preciso dizer que a tia Hermengarda tinha vivido em Moscovo no início da carreira diplomática do marido e era uma apaixonada dos autores russos, Pushkine, Dostoievski, principalmente Tolstoi, que visitou algumas vezes em Isnaia Poliana. Identificava-se com as personagens de Guerra e Paz. Creio que amava secretamente o príncipe André e gostava de ter sido Natacha. Falava muito da alma russa. Era uma propensão do seu espírito.
- Tu também tens alma russa - dizia-me. E era como se me tivesse armado cavaleiro.
Vamos interpretar o texto. Seleccione a opção que lhe parece correcta para completar a frase.
1. O narrador sempre receou os retratos a óleo porque tinha medo que:
b) as pessoas retratadas partissem o vidro para poder fugir.
c) caíssem em cima dele e o matassem.
d) as pessoas saíssem da moldura e passeassem pela casa.
b) ninguém sabia quem era a pessoa retratada.
c) a senhora do retrato tinha um aspecto que metia medo.
d) ninguém da família respondia às perguntas sobre a senhora retratada.
3. A tia-avó do narrador nunca passava em frente daquele retrato porque:
b) dormia no andar de baixo e não subia as escadas.
c) não dava importância ao assunto.
d) nunca descia as escadas e dormia no andar de cima.
4. O narrador teve informações sobre o retrato quando a tia Hermengarda lhe:
a) apresentou algumas roupas da senhora.
b) mostrou fotografias e contou a história da senhora.
c) disse que a senhora tinha sido casada com Pushkine.
d) explicou que a senhora era Natalina e lhe chamavam Natacha.
5. Hermengarda falava muito da alma russa:
b) porque tinha vivido em Minsk no início da carreira diplomática do marido.
c) e dos autores russos, principalmente Tolstoi.
d) e de Tolstoi que gostava de ter conhecido.
Nota Biográfica de:

Figura da vida política portuguesa, Manuel Alegre tem desenvolvido, ao mesmo tempo, uma intensa actividade literária, sobretudo no domínio da poesia.
Entre a obra do autor, destacam-se os seguintes títulos:
Poesia: Praça da Canção (1965); O Canto e as Armas (1967); Atlântico (1961); Alentejo e Ninguém (1996); Senhora das Tempestades (1998);
Ficção: Jornada de África (1989); O Homem do País Azul (1989) e Alma (1995)
SABIA QUE…?
«A Senhora do Retrato», título do conto de Manuel Alegre, evoca um género com uma longa tradição na pintura europeia, desde os alvores do Renascimento – o retrato.
Sabia que no Museu Nacional de Arte Antiga podemos encontrar um quadro de um pintor anónimo do século XVI intitulado... «Retrato de uma Senhora»?! E, mais próximo de nós, sabia que Retrato de Senhora é também o título de um quadro de António Soares (1894-1978)?
Preocupados com a reprodução dos traços físicos ou procurando captar e sugerir o perfil psicológico da pessoa retratada, muitos foram os artistas que cultivaram o género ao longo do tempo. Transpuseram para a tela personagens do seu círculo, individualmente ou em grupo, e nenhum artista escapou à tentação de uma variante do género: o auto-retrato.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
ESCREVE
Escreve!Vergílio Ferreira, in "Pensar"
ESCREVO
Escrevo já com a noite
em casa. Escrevo
sobre a manhã em que escutava
o rumor da cal e do lume,
e eras tu somentea dizer o meu nome.
Escrevo para levar à boca
o sabor da primeira
boca que beijei a tremer.
Escrevo para subir
às fontes.
E voltar a nascer.
Eugénio de Andrade, Os Sulcos da Sede.
A LEITURA E... A SINTAXE

ESCREVER...
Escrever…- Não é uma capacidade inata (um dom), mas algo que pode ser aprendido ou aperfeiçoado;
- “Escrever bem” não é sinónimo de escrever de forma decorativa ou de forma rebuscada;
- “Por dominarmos a língua no modo oral não significa que aprendemos natural e espontaneamente as regras e os mecanismos da escrita”.
Quatro regras de boa formação textual
1. Regra da Repetição: o texto deve comportar no seu desenvolvimento elementos que se combinem entre si.
2. Regra da Progressão: o desenvolvimento do texto deve ser acompanhado de um acréscimo de novos elementos.
3. Regra da Não–Contradição: quando introduzimos novos elementos, temos que verificar se não estamos a contradizer os conteúdos anteriores.
4. Regra da Relação: para que o leitor perceba o texto que escrevemos, os elementos, que compõem a sequência do texto, têm que se articular entre si.
CONSTRUÇÃO DE UM TEXTO

1. Organização das ideias
Em qualquer desenvolvimento de um tema é importante a sua unidade. Esta só se consegue se houver uma organização das ideias tendo cuidado com uma certa hierarquia de importância e de valores, com a sua pertinência e a sua adequação.
2. Estruturação do discurso
- Ortográfico (palavras correctamente escritas, acentuação, uso adequado das maiúsculas, divisão silábica na translineação,…);
Constituir um parágrafo com apenas uma ideia-chave é uma atitude possível, sobretudo quando se principia. Com o tempo verificaremos que num parágrafo podem articular-se várias ideias ou que uma só ideia acontece, por vezes, em vários parágrafos devidamente estruturados e articulados, mas nunca perdendo de vista a necessidade de ser concreto e/ou de recorrer à fundamentação e exemplificação.
Para que, finalmente, um texto seja correcto sob o ponto de vista da estruturação do discurso é necessário que possua articulação das ideias, sequencialização e um certo movimento.
Na elaboração convém ter em conta:
* Conclusão: tenta-se fazer uma apreciação global e uma breve síntese das ideias expostas.
3. Apresentação
Qualquer texto escrito vale pelas ideias contidas, pela correcção do discurso e pela sua apresentação. A ilegibilidade, a desordenação ou outras irregularidades tornam o trabalho de difícil leitura e dificultam a sua compreensão e apreciação.
O que é uma LÍNGUA?
"Uma Língua é um instrumento de comunicação segundo o qual, de modo variável de comunidade para comunidade, se analisa a experiência humana em unidades providas de conteúdo semântico e de expressão fónica”, ou seja, é um conjunto de sons, palavras e regras gramaticais utilizado por uma determinada comunidade."
A cena passa-se numa feira.
Um francês resolve comprar nozes para isso dirige-se à dona de uma tenda de fruta:
- Comment s’appell?
- Se se come com a pele?
- Comment?
- Com a mão? Não, sem casca.
- Je ne comprends pas.
- Se não quer comprar para que
me fez perder o meu tempo?
Variações da Língua
A língua é um sistema gramatical usado pelo conjunto de indivíduos que o conhece. A utilização que cada falante deste código varia em função de diversos condicionamentos:
- A idade;
- A zona geográfica e o nível sociocultural do emissor;
- O grau de familiaridade entre o emissor e o receptor;
- As circunstâncias e as finalidades do acto de comunicação.
Registos de Língua
Registo corrente – corresponde à norma, sendo acessível à maioria dos falantes. Trata-se de uma linguagem simples, mas correcta, constituída pelas palavras, expressões e frases mais comuns.
Na língua falada encontramos este registo na conversação quotidiana e na comunicação social audiovisual. Na língua escrita este registo é utilizado nas informações e comunicações escritas e na comunicação social impressa.
Ex.: A senhora não tem motivo para fazer essa afirmação!
Registo familiar – é frequente na linguagem falada, dependendo principalmente do grau de familiaridade entre o emissor e o receptor. Trata-se de uma linguagem com um vocabulário muito simples e pouco variado e com frases gramaticalmente simplificadas.
Na língua falada encontramos este registo na conversação quotidiana informal. Na língua escrita este registo surge nas cartas ou na comunicação online e em textos literários, quando se pretende reproduzir a língua falada.
Ex.: Estás a dar música a quem?
Registo popular – reflecte a falta de cultura linguística das classes pouco alfabetizadas e/ou os hábitos regionais, a educação e a profissão dos falantes. Muitas vezes, as frases são gramaticalmente incorrectas.
Na língua falada encontramos este registo na conversação quotidiana. Na língua escrita este registo surge nos textos literários que pretendem reproduzir a língua falada.
O registo popular tem várias modalidades:
Os regionalismos – são expressões próprias de determinadas zonas do país.
Ex.: Quero um cimbalino. (“cimbalino” é sinónimo de café no Porto; tem o correspondente em “bica”, expressão de Lisboa)
A gíria – é o conjunto de expressões específicas de determinados grupos com actividades afins.
Ex.: Hoje baldei-me ao primeiro segmento. (gíria estudantil)
Aquele frangueiro nem no banco tem lugar! (gíria futebolística)
O calão – designa expressões consideradas impróprias e grosseiras.
Ex.: Se não te piras parto-te as fuças todas!
Registo cuidado ou culto – utiliza um vocabulário escolhido, menos comum que o do registo corrente, tal como uma sintaxe mais elaborada.
Na língua falada este registo é utilizado em conferências, colóquios e ocasiões solenes. Na língua escrita encontramo-lo em cartas e documentos formais e oficiais, em textos críticos e de opinião
Ex.: Eu, abaixo-assinado, venho, por este meio solicitar a V. Ex.ª (…).
Registo literário – tem uma intencionalidade estética e, para tal, emprega um vocabulário rico e sugestivo, recursos expressivos e estilísticos, e a sintaxe pode ser bastante elaborada.
Na língua falada encontramos este registo em discursos e sermões. Na língua escrita está presente nas obras literárias.
Ex.: Ondas passadas, levai-me
Para o olvido do mar! (…) A casa por fabricar. (Fernando Pessoa)
PRESTA ATENÇÃO...

HISTÓRIA DAS PALAVRAS

“Houve um homem sozinho que se pôs a espreitar – havia pessoas maravilhadas e outras que estavam cansadas.
Depois ainda espreitou melhor: todas as pessoas estavam maravilhadas, depois não sabiam aguentar-se maravilhadas e ficavam cansadas.
As pessoas estavam tristes ou alegres, conforme a luz para cada um – mais luz, alegres – menos luz, tristes.
O homem sozinho ficou a pensar, nesta diferença. Para não esquecer, fez sinais numa pedra.
Este homem sozinho era da minha raça – era um Egípcio!
Os sinais que ele gravou na pedra para medir a luz por dentro das pessoas, chamaram-se hieróglifos.
Mais tarde veio outro homem que tornou estes sinais ainda mais fáceis. Fez vinte e dois sinais que bastavam para todas as combinações que há ao Sol.
Este homem sozinho era da minha raça – era um Fenício.
Cada um dos vinte e dois sinais era uma letra. Cada combinação de letras uma palavra.”
Almada Negreiros, Poesia
Definição de COMUNICAÇÃO

Os elementos da comunicação
Receptor: quem recebe e descodifica a mensagem.
Mensagem: a informação transmitida pelo emissor ao receptor.
Canal: meio físico pelo qual a mensagem é transmitida.
Código: conjunto dos sinais ou signos arbitrários e convencionais que, depois de codificados, permitem ao emissor transmitir a mensagem ao receptor, que irá descodificá-la.
Contexto: situação que envolve a comunicação.

